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quinta-feira, 26 de junho de 2003

Os Problemas que não têm Solução

Existem problemas que não têm solução? Eventualmente existem, mas ainda não encontrei um único. Todos os desafios têm solução; pode ser mais ou menos ambiciosa, ou mais ou menos exequível, mas a solução está lá sempre. Pode ser uma solução simplista e com pouca possibilidade de sucesso a longo prazo ou uma solução complexa e robusta, mas o génio humano encontra sempre uma forma de passar à frente. O último problema sem solução foi o nó de Górdio que Alexandre Magno se encarregou de resolver. Não foi uma solução bonita, mas ficou feito. Quando se justifica uma inacção porque o problema não tem solução fica-me logo a “cheirar” a demagogia ou preguiça. E raramente há uma terceira via.

Esta introdução filosófica vem a respeito do que li no último número desta Revista sobre o Parque Marinho da Arrábida. De facto, à primeira vista, parecem inconciliáveis os pontos de vista dos utilizadores desta área. Devem “esfregar as mãos de contentamento” os políticos refugiando-se na aparente impossibilidade de consenso para, mais uma vez, nada fazer. É triste, mas não vejo outra solução. Um problema sem solução! Será assim? Será que o Parque Marinho da Arrábida vai continuar a ser delapidado e destruído porque os utilizadores se culpabilizam uns aos outros não assumindo as suas próprias responsabilidades, apontando o dedo hirto aos ausentes? É triste se assim for.

Evidentemente, agora está à vista, que o processo nasceu torto. Ao não incluir, de uma forma eficiente, todos os utilizadores no processo de decisão, os gestores da área (o Instituto para a Conservação da Natureza) colocaram-se numa posição muito desconfortável. As necessidades de gestão não são compreendidas pelos utilizadores (incluindo pescadores profissionais e lúdicos, mergulhadores e turistas) e não são abrangentes, deixando de fora alguns dos utilizadores indirectos (como os grandes poluidores). Outros legítimos interessados, os cientistas e os conservacionistas, sentem que o seu trabalho foi em vão e podem acabar por se alhear do futuro do Parque Marinho.

Existem dois modelos para preservar áreas que sejam, frágeis ou ricas do ponto de vista ambiental: o modelo “descendente” e o “ascendente” *. Passo a explicar: “descendente” é quando os políticos decidem e depois impõem a decisão aos utilizadores, “ascendente” é quando os utilizadores se entendem e os políticos limitam-se a colocar no papel o que já está acordado. Ambos têm vantagens e inconvenientes. A grande vantagem do modelo “descendente” é ser de rápida implementação, mas tem como duas grandes desvantagens o facto de não ser consensual, gerando descontentamentos violentos, e implicar um grande investimento em fiscalização. O modelo “ascendente” tem como grande vantagem a harmonia que causa na utilização dos bens comuns, mas como grandes desvantagens a morosidade na tomada de decisão e o investimento em reuniões de trabalho.

Com honrosas excepções, em Portugal, conseguimos conjugar o pior de ambos os modelos e, nitidamente, foi o que aconteceu até agora na Arrábida. Como exemplo destas duas honrosas excepções, posso ilustrar com a Reserva Natural do Estuário do Tejo, em que se aplicou o modelo “descendente”, apressado pela Ponte Vasco da Gama, ou, como exemplo do modelo “ascendente”, a Reserva Voluntária da Ilha do Corvo, em que os pescadores prescindiram de pescar numa determinada área para que o turismo subaquático se pudesse desenvolver.

Tirando os gestores prepotentes ou os políticos extremistas, todos preferem o modelo “ascendente”. A forma mais simples de aplicar este modelo participativo é tentar reunir todos os utilizadores e deixá-los propor o ordenamento que consideram mais adequado. Se se chegar a um consenso este é habitualmente forte, robusto, justo, adequado e, muito importante, respeitado.

Normalmente, nas primeiras reuniões são apenas identificados outros utilizadores que não estão presentes inicialmente, coligidos documentos sobre a área e identificados os riscos efragilidades. Num passo seguinte, são identificados os pontos de conflito. A seguir começam a debater-se as soluções para resolver os pontos de conflito. Normalmente este é um período difícil e que demora muito tempo a ultrapassar; pode mesmo passar um ano, mas é crucial. O gestor ou administrador da área deve abster-se de intervir, mas deverá estar atento, fornecendo os elementos necessários para uma discussão esclarecida e propor e facilitar os diversos encontros gerais ou parcelares. A postura mais adequada é reforçar a ideia que se não se atingir um consenso natural, a decisão será da administração. Normalmente, o “terror” das decisões políticas é tão elevado que os utilizadores acabam por encontrar as cedências mútuas adequadas para uma decisão consensual.

Não estou a inventar nada, estes modelos e aproximações já foram utilizados noutros locais com sucesso, a nós resta-nos aprender e aplicar. Este é mais problema que tem uma solução tão simples que até irrita andarmos às voltas. Há apenas que arregaçar as mangas, pôr “mãos à obra” e dar tempo para que as decisões de gestão possam ser maduras e responsáveis!

* do Inglês: “top down” e “bottom up”.

Para mais informação sobre as duas estratégias pode consultar o editorial de um número especial da Revista Parks dedicado às áreas marinhas protegidas: Kelleher, G. & C. Recchia(1998). Lessons from marine protected areas around the world. Parks, 8(2):1-4.


Publicado na coluna "Casa Alugada"

segunda-feira, 26 de maio de 2003

O Primeiro Mergulho

Todos os anos paro de mergulhar durante 2 a 6 meses. Não é propositado, mas de facto olhando para os registos, verifico que, de forma consistente, faço uma paragem de Inverno. Deixo de mergulhar entre Novembro e Dezembro e volto a mergulhar de Fevereiro a Maio. As excepções a este padrão são mínimas. Os motivos estão relacionados com as condições meteorológicas, adversas nesse período, na zona onde vivo.

Se bem que já disso me tivesse apercebido, só este ano, quando ao recorrer à caderneta de registo para planear o meu primeiro mergulho de 2003, verifiquei o referido padrão ou, melhor, a periódica pausa.
Lá estava escrito que o primeiro mergulho dos últimos anos tem servido para testar o equipamento e pouco mais. Enquanto o último mergulho do ano não é minimamente equacionado - não vamos para dentro de água a pensar que aquela irá ser a última oportunidade de submergir durante alguns meses - o primeiro mergulho tem algumas características constantes: mergulho fácil, com equipamento rodado, companhia experimentada, muito frio, etc. e um toque de surpresa ou de improviso causado pelo ambiente ou por falência do equipamento a ser testado (quando é caso disso).
Este ano, por exemplo, vi alguns rocazes e lagostas (não há perigo de partilhar esta informação, porque quando o artigo for impresso as lagostas já estarão no seu habitat de Verão, lá bem mais fundo). As lagostas são presenças habituais nesta época do ano, mas os rocazes não. Pode parecer pouco, mas lá estava o factor surpresa.
Apesar de me arrepender amargamente, apenas comecei a registar os mergulhos de uma forma sistemática em 1996. Até aí, há um hiato polvilhado por informação dispersa. Não me recordo de quando, onde e como mergulhei. Aqui fica um conselho aos novos mergulhadores: registem sempre as vossas imersões. Se o não fizerem, perderão algumas estórias nos recantos perdidos da memória. É triste, mas de 1987 a 1996 tenho nove anos de mergulhos meio esquecidos. Um ou outro fui recuperando pelos registos dos meus colegas, mas, na realidade, estão tantas memórias por recordar...
O meu primeiro mergulho a sério, com escafandro autónomo, foi em Sesimbra, num qualquer dia de 1987, com o CPAS, na primeira aula prática de mar do meu curso. Não me esquecerei jamais; e essa imersão não está registada na caderneta. Comparativamente com a maioria dos outros mergulhos, foi péssimo. Má visibilidade, fundos muito pobres, sem algas e sem peixes. Lembro-me perfeitamente que não vi um único peixe! Seria, provavelmente o resultado da sobre-exploração ou consequência do terror que a aproximação daquele grupo de inaptos causou na população piscícola local... Sim, ninguém começa por mergulhar bem e nós não seríamos a excepção. Mas a liberdade de nadar livremente e sem limitações no meu meio favorito, é algo que nunca irei esquecer. A calma do meu monitor de mar, o Paulo Cardoso, foi contagiante e senti uma paz e uma serenidade que nunca tinha sentido. "O mergulho isola-nos, pois a comunicação é difícil, e dá-nos espaço para sermos apenas nós, a presença dos outros serve apenas para nos tranquilizar, nada mais." pensei eu. Por razões de trabalho, tive que mudar um pouco a atitude. Foi necessário começar a "consertar" os problemas de comunicação.

Houve cinco factores que desde 1987 melhoraram as condições de mergulho, mas que, de certo modo, estragaram a sua poesia: o colete, o computador de mergulho, as scooters subaquáticas, o fato seco e o sistema de comunicação áudio. O primeiro foi excelente! Passou a ser possível equilibrar o corpo dentro de água sem grandes preocupações de levar o peso certo para a profundidade de trabalho. Se já antes o mergulho era fácil, daqui por diante qualquer pessoa passou a poder mergulhar. Hoje em dia, raros são aqueles que dispensam esta peça de equipamento. E mesmo os que o dispensam, acabam por utilizá-lo nos mergulhos mais profundos ou complicados.
O segundo melhoramento também é totalmente positivo. Imagino que o número de acidentes em mergulho tenha descido muitíssimo após a generalização do computador de mergulho. E se não desceu também em termos totais, na minha opinião, foi porque abriu a "porta do mar" a um enorme grupo de pessoas que até aí considerava o mergulho demasiado radical. Ao democratizar o mergulho, tornou-o banal, ao alcance de qualquer um. Nós, os mergulhadores, deixámos de ser um grupo selecto de aventureiros, cujo o apogeu se deu ao mesmo tempo que o "Grand Bleu" era editado, ou mesmo antes disso, com "As Aventuras do Comandante Costeau" para passarmos a ser apenas mais uns...
As scooters estragaram o silêncio. Sim, é evidente que nos possibilitam cobrir uma área muito maior e em pouco tempo. Para o trabalho é formidável, aumenta a segurança e diminui a fadiga. Mas é terrível estar dentro de água, habituado a "ouvir" o silêncio e passar um "fórmula um"...
Depois veio o fato seco. Esta peça é horrível! Sai-se dentro de água como se entrou. Saímos pouco cansados, sequinhos, prontos para vestir o smoking e ir para a cerimónia dos óscares, como se não estivéssemos estado na água, no meio da grande aventura. É o divórcio do mergulhador com a água. Felizmente, só é utilizado excepcionalmente, nos dias de muito frio.
Finalmente, apareceram os sistemas de comunicação áudio. É a última estocada na poesia e isolamento do mergulho. Um dos meus últimos mergulhos de 2002 já foi feito com música de fundo. Nem queria acreditar que estava a 25 metros de profundidade a filmar não-sei-o-quê e a ouvir as "Ketchup", com que o meu skipper me decidiu brindar!
Estas cinco peças facilitaram o mergulho de tal forma que este já deixou de o mergulho que conhecemos e de que sempre gostámos. Por decisão consciente, apenas utilizamos os três últimos equipamentos quando são mesmo imprescindíveis. Queremos o velhinho mergulho aventureiro de volta!

Em 2001 estive a visitar uma empresa que se dedica, entre outras coisas, a fabricar equipamentos de mergulho para a marinha inglesa. Nesse período, eu tomava apontamentos num pequeno computador portátil da Toshiba, o Libretto. Quando eles o viram, pediram-mo emprestado para tirar umas medidas. Depois, por cortesia, explicaram-me um pouco do que estavam a fazer. Não posso referir os detalhes porque obviamente não me foram ditos, mas, basicamente, neste momento já deverá ser possível ter militares ingleses, com colete, computador de mergulho, fato seco, deslocando-se de scooter, a discutir os avanços da guerra por vídeo-fone em directo para a "BBC News" on-line e a escrever, em simultâneo, uma mensagem de correio electrónico a desmentir a "Al-Jazira". Tudo isto a partir dos fundos das águas ao largo de Umm Qasr (Sul do Iraque). Independentemente da tristeza que é uma guerra, espero que não seja este o futuro do mergulho, porque a diferença entre isso e ficar em casa a ver na televisão um programa sobre o mundo submerso é, se calhar, muito pouca.

Publicado na coluna "Casa Alugada"

sábado, 26 de abril de 2003

"Que bonito é o Inverno em Portugal!"

O Inverno é uma época maravilhosa para ter ideias, fazer planos, enroscar no cobertor, usufruir da lareira e desfrutar do descanso; ou seja, não fazer nada. Agora que começa a Primavera, tal e qual lagartos, começamos a esticar as pernas, movidos pelos primeiros raios de Sol que às vezes aparecem, num lento espreguiçar, e começamos a pensar na acção.

Ainda estava meio estremunhado, quando um colega me pediu ajuda para efectuar uma necropsia a uma baleia-de-bico na Ilha do Pico, Açores. Arrastando-me para fora do meu conforto faialense, lá fui meio contrariado porque, afinal de contas, o Inverno ainda não tinha acabado; ainda estava em hibernação.

Fizemos o trabalho, quer dizer: ele fez quase tudo, eu limitei-me, qual enfermeiro-instrumentista, a passar os diversos instrumentos que ele ía precisando. Seis frascos e meio litro de formol depois, a coisa estava arrumada. Não havia respostas sobre a causa de morte para a baleia-de-bico, apenas diversas suspeitas. Estas serão mais tarde clarificadas através da análise das amostras recolhidas.

Ali estava então eu e o meu colega Rui Prieto na ilha montanha. A meia-tempestade empurrava o mar contra a costa e dei comigo a pensar com os meus botões: porque raio é que fico em casa no Inverno? Como é que posso deixar escapar toda esta beleza do mau tempo em movimento, recolhido em casa, fazendo inúteis estatísticas sobre o número de manifestantes contra a guerra que se amontoam por esse mundo fora?
Comentário lateral, mas irresistível:
já repararam como os políticos fingem ignorar os apelos à paz? Curioso, não é?

Voltando à nossa Ilha do Pico. Naquele amontoado de vento e ondas pensei como é que os cetáceos enfrentarão esta confusão. Um outro colega meu, em tempos embarcado como observador num pesqueiro, relatou-me que o único vislumbre de normalidade que viu no meio de uma enorme tempestade foi “um grupo de golfinhos a surfar no meio das ondas”. De facto, os milhares de anos de adaptação ao meio marinho devem ter-lhes conferido formas de resistência a estas situações aparentemente extremas. Ou então ele estava com visões... É possível.

Noutro contexto, esse seria um enorme motivo de discussão. Mas não naquele Inverno. O tempo passou mais devagar e abriu espaço para os pensamentos soltos, sem origem nem importância. (o “tempo a abrir espaço!!” Se o meu professor de física lesse estas linhas...)

Descobri que o turismo de Inverno é impecável (sim, senti-me um autêntico turista)! Não há muita gente nos hotéis, mas as pessoas que por lá andam sabem apreciar os pequenos momentos, o silêncio, as ideias inúteis, as conversas em surdina, o vento, as tempestades... Por outro lado, os funcionários tentam cativar aqueles seres estranhos que, por uma razão ou por outra, ali foram parar. Foi assim na Aldeia da Fonte no Pico e acredito que o mesmo se passe noutros sítios.

Estava tão embrenhado a saborear os sofás da “sala de fumo”, que nem me lembrei que a violência deste Inverno deve estar relacionada com uma mudança global terrível e, potencialmente, irreversível. E que este Inverno incomodou tantas pessoas com as cheias, o frio, etc. Ali, o tempo parou. Desfolhei uma antiquíssima revista da National Geographic onde li um interessantíssimo artigo sobre arqueologia subaquática. Aprendi como se mergulhava nos navios afundados na época dos descobrimentos e guardei a importante informação de que havia um mergulhador que ainda mergulhava dessa forma. Metia-se dentro de um pesadíssimo sino e descia até aos 30 metros! Depois tinha 20 minutos de ar dentro do sino e operava em apneias sucessivas: sino-inspira-operação-sino-expira. Nem me ocorreu perguntar à revista se não haveria problemas de descompressão... Tudo me pareceu tão fácil e leve...

A saída da normalidade tem estas vantagens: pensamos nas coisas de forma diferente, arrumamos as ideias e re-organizamos as prioridades. No nosso país, apesar de tudo, temos a vantagem de ter um Inverno ameno que permite sair, abrir os braços e inspirar fundo. E, na verdade, respira-se tão bem durante o Inverno em Portugal.

Publicado na coluna "Casa Alugada"

quarta-feira, 26 de março de 2003

"Nunca Mais!"

Dia 13 de Novembro de 2002 o navio de transporte de hidrocarbonetos "Prestige" emitiu uma mensagem de socorro. Iniciou-se aí uma saga de acontecimentos, dos quais o pior terá sido a Maré Negra que insiste em fustigar as costas da Espanha e França. Portugal, miraculosamente, parece passar ao lado de grande parte desta desgraça.

Curiosamente, desde dia 13 de Novembro que todos perceberam o que se iria passar a seguir. Parecia inevitável. Todos compreenderam menos o Governo Espanhol e o Governo da Xunta de Galicia. Preferiram ignorar, não dar importância ao crude que se amontava nas costas da Galiza. Agora num acto desesperado o Partido Popular vem acusar as Associações, que se criaram nesse período para lutar contra os efeitos da maré, de estarem a fazer partidarismo. De entre estas organizações, aquela que mais parece perturbar o partido do Governo Espanhol é a Plataforma "Nunca Mais". Segundo esta organização, é necessário mobilizar a opinião pública, organizando manifestações e outros eventos por forma que este tipo de acidentes não se repita. Não consigo resistir a relembrar que foram necessários 25 dias de Maré-Negra para que o Governo Espanhol enviasse 1500 militares para ajudar a combater a poluição.

O comandante do Navio "Prestige", foi recentemente, após 80 dias, libertado. A fiança para a libertação deste comandante foi de 3 milhões de euros. A caução foi a mais elevada imposta em Espanha por "delitos contra os recursos naturais e o ambiente, em desobediência às autoridades administrativas" e foi paga pela seguradora London Steamship Owners Mutual Insurance Association. Oxalá alguma instituição fosse tão rápida a pagar os danos ambientais que este navio causou... Aliás, por falar nisso, a FIPOL (fundo internacional de indemnizações para os danos provocados pelos hidrocarbonetos), organismo criado pela Organização Marítima Internacional para complementar as escassas indeminizações atribuídas pelas seguradoras e donos dos navios, já decidiu que não irá pagar qualquer indemnização até Maio. Segundo este organismo, apenas possui 180 milhões de euros disponíveis e só os danos estimados das limpezas que estão a decorrer em Espanha ascendem a mil milhões de euros. Então para que serve o FIPOL se não tem recursos ou se não os consegue mobilizar? Houve apenas um caso de Maré Negra em que as indemnizações foram total e prontamente pagas. Tratou-se do caso Exxon Valdez, que danificou uma zona da costa do Alasca. Curiosamente, os Estados Unidos da América não fazem parte do FIPOL.

A boa notícia é que o "Nautille", esse pequeno-gigante submarino Francês conseguiu fechar todas as fissuras do petroleiro "Prestige". Não se crê que isso impossibilite totalmente a libertação de fuel, mas, certamente, irá reduzir em muito o caudal de saída. É, por isso, importante que o "Prestige" seja monitorizado periodicamente de forma a verificar as selagens e certificar que não há novas fissuras. Esperemos que quando se falar novamente em títulos atribuídos pelo Presidente da República não se esqueça a tripulação deste submarino e restantes colaboradores do IFREMER. É que eles, aparentemente, ajudaram, em muito, Portugal a livrar-se do grosso de uma maré negra que era previsível para quando as correntes dominantes invertessem o seu sentido. Até ao momento em que escrevo este artigo, apenas pequenas manchas atingiram a costa portuguesa.

Outra boa notícia é que já foi possível abrir parcialmente a pesca na zona das Rias Baixas, Galiza. Ainda é apenas uma pequena parte, mas é uma esperança de que, no futuro, se possa voltar à normalidade.

O Comité Científico do "Prestige", liderado por Emilio Lora-Tamayo, deu ao Governo Espanhol uma lista com 15 soluções definitivas para este navio. Espera-se que uma dessas soluções possa ser aplicada no próximo Verão. É que o "Prestige" ainda tem cerca de 50 toneladas de crude dentro dos seus depósitos. Entre as soluções que foram apresentadas contam-se: enterrar o navio debaixo de cascalho e argila, construir um sarcófago de betão ou metal, queimar o fuel-óleo ou re-emergir o petroleiro. Para algumas destas soluções não existe ainda tecnologia capaz de responder às necessidades.

Ainda de entre as soluções apresentadas, "Os Verdes" apresentaram uma proposta para afastar o tráfego de navios perigosos a menos de 20 milhas da costa.

Algumas instituições de investigação encontram-se a fazer experiências para determinar a eventual capacidade das bactérias marinhas de grande profundidade em degradarem os hidrocarbonetos libertados pelo "Prestige". Serão boas notícias se os hidrocarbonetos realmente se degradarem e se se conseguir isolar os microorganismos responsáveis por essa acção. A partir daí, levantar-se-ão novas perspectivas que possibilitem a degradação com a ajuda do Homem dos hidrocarbonetos do navio afundado.

Já foi anunciado que Jean-Yves Costeau e James Cameron, cada um por seu lado, irão fazer documentários sobre o "Prestige". É de esperar que o filho do Comandante se detenha mais sobre os pormenores ecológicos e sociais, enquanto o cineasta norte-americano irá certamente aproveitar a tecnologias que tão bem domina para transmitir a dimensão do espectáculo diabólico que o navio poderá proporcionar. James Cameron já anunciou que irá utilizar a tecnologia IMAX para dar ao documentário um maior realismo.

Publicado na coluna "Casa Alugada"

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2003

Mar triste

Três histórias pautam estes dois meses em que o mar ficou mais triste: 1- “Prestige”; 2- “Rival”; e 3- “Política Comum de Pescas”.

1- O Prestige naufragou. Antes de naufragar largou crude, depois de naufragar continua a largar crude... Até quando... As estimativas falam em três meses. Se o pequeno submarino francês Nautile conseguir fechar as saídas de crude, talvez seja possível adiar a libertação. Adiar apenas, porque, mais tarde ou mais cedo, o casco irá ceder e libertar crude até os tanques ficarem vazios. À superfície o Instituto Hidrográfico e a dragas vigiam e recolhem, respectivamente, o óleo que fica ao seu alcance; O sul de Françacomeça agora a receber as primeiras manchas...

2- O “Rival” naufragou. Antes de se afundar largou os quatro tripulantes, um deles sem vida. O mestre Sota não aguentou ver o barco desaparecer naquele canal Faial-Pico que tão bem conhecia. Os outros três tripulantes foram salvos pelo Mestre Carlos Ávila e Contra-mestre Paulo Ávila (do atuneiro Porto de S. João) que, de terra, insistiram em localizar com os seus binóculos a posição dos náufragos e a transmitiram às embarcações civis ("Três Rosas" e "Sandro") que, no mar, os procuravam;

3- A política comum de pescas foi revista. Depois das ameaças de revolução as quotas inacreditavelmente altas para recursos que escasseiam. Pescar o quê?

Para escrever o que poderão ler adiante, consultei diversas fontes e contei com a ajuda de diversos amigos que, apesar de muitas vezes discordarmos, me deram muitos elementos. Entre outras fontes, consultei: 1- lei de programação militar (Lei Orgânica 5/2001 de 14 de Novembro), 2- a página internet da Marinha de Guerra Portuguesa (http://www.marinha.pt/), esta página tem uma secção sobre planeamento de forças em que é feito um resumo dos equipamentos que a Marinha se propõe adquirir, 3- a página internetsobre equipamentos militares “Military Zone” (http://militaryzone.home.sapo.pt/), a pobre página internet do Instituto de Socorros a Náufragos (http://www.isn.org.pt/); 4- Diversos números dos Jornais “Público”, “Diário de Notícias”, “Expresso”, “Telégrafo” e “Correio da Horta”, “Revista da Armada” e notícias dos canais televisivos da SIC, RTP e TVI.

Nunca pensei ouvir espanhóis manifestando-se e a gritar “menos mal, queremos ser de Portugal!”. Foi o resultado da política de “varrer para debaixo do tapete” seguida pelo governo Espanhol. Portugal, certamente por ter aprendido com os erros dos outros, já procedeu de forma diferente em relação ao “Nestor C”. O barco veio para o Porto de Sines, onde está a ser concertado, e não se tentou iludir a opinião pública através da manipulação dos órgãos de comunicação social. Portugal, através do Governo Português, esteve muito bem. A sorte protege os audazes, diz-se, porque, se bem que tivemos mais tempo para tomar as decisões, decidimos sempre certo. Pelo menos o mais certo que se pode decidir em casos destes. É bom notar que em casos como o “Prestige” ou “Nestor C” não há decisões isentas de risco. Há decisões melhores e piores. Portugal optou e bem pelas melhores e, ainda por cima, teve sorte. Se o “Nestor C” se tivesse afundado à entrada do porto de Sines, antes de atracar, seria uma catástrofe enorme se bem que limitada no espaço e mais acessível aos meios de contenção. Uma catástrofe disfarçada porque, ao contrário do crude, os poluentes que transporta não são oleosos ou negros. No entanto, as perturbações que iria provocar no ecossistema são incalculáveis. Entre isso ou um afundamento ao largo da costa portuguesa, arriscando o nosso potencial piscícola e todas as belezas que os nossos mares encerram... Estivemos bem.

Ao mesmo tempo, Portugal demonstrou que não estamos preparados. Não temos navios de combate à poluição, demorámos muito tempo a alugar a draga “Northern Corona” (a qual afinal não se adequava à realidade no local). Alugar foi uma excelente opção, mas este mecanismo já deveria estar preparado, penso eu... Foram necessárias várias semanas para que esta começasse a operar. Portugal tem alguns meios, mas peca pela capacidade de acção em pequena escala ou em novos cenários (como o combate à poluição). Nos Açores e na Madeira, sempre que há um naufrágio as nossas marinha e força aérea disponibilizam as corvetas, as fragatas, os aviões C-212 (aviocar), C-130 e P3-Orion e os helicópteros Puma. É relevante que nas Ilhas não existam embarcações em quantidade e adequadas para fazer a busca e salvamento e a fiscalização em menor escala. Na Capitania do Porto da Horta temos a situação inacreditável de se possuir quatro embarcações em que nenhuma está destinada a salvamento no mar e nenhuma pode sequer sair com condições meteorológicas médias (quanto mais mau tempo!). Foi o que sucedeu no caso do “Rival”. Os homens da capitania e polícia marítima viram-se totalmente incapacitados para reagir de imediato. Tiveram que esperar várias horas para que os meios estivessem disponíveis. A situação é tão lamentável que nem aos apelos VHF (para quem não sabe, é o meio decomunicação mais comum no mar) responderam porque, inacreditavelmente, os meios terrestres da capitania não possuem este equipamento! É evidente que após o afundamento do “Rival” e terem sido conhecidas as circunstâncias, passou logo a haver uma presença mais constante da corveta “António Enes” no Porto da Horta. À boa maneira portuguesa “casa arrombada, trancas à porta”. Se bem que usar uma corveta para um pequeno salvamento no mar se assemelhe a apanhar moscas de caçadeira...

Basicamente, a Armada Portuguesa possui 6 fragatas, 10 corvetas, 3 navios-escola, 1 navio de abastecimento, 4 naviosocenográficos, 16 navios de guerra menores, 3 lanchas de desembarque, 1 navio de balizagem, 2 submarinos, diversos helicópteros e uma miríade de pequenas embarcações. Para este equipamento são necessários mais de 3000 pessoas apenas para as guarnições permanentes.

Posto isto, e na minha opinião, não se justifica que nas Ilhas dos Açores Corvo, Flores, Faial, Pico e São Jorge (Capitanias da Horta e Santa Cruz das Flores) não exista um único médio/grande equipamento em permanência! Reparem que são mais de 300 mil km quadrados de Zona Económica Exclusiva, é mais de 1/6 da ZEE de Portugal, representa 1/10 da ZEE da União Europeia e não tem uma única fragata, corveta, pequeno navio de guerra, navio-escola, salva-vidas... Nada! Na Capitania do Porto da Horta existem as tais quatro embarcações: a Espalamaca, e a Siroco (ambas de madeira e obsoletas) e dois semi-rígidos. Na Capitania do Porto de Santa Cruz das Flores: dois semi-rígidos. Nas referidas Ilhas do Arquipélago dos Açores não há uma única lancha de socorro digna desse nome. A lancha de socorro que está sediada mais perto da Ilha do Corvo está na Ilha Terceira! Não admira assim que, quando o “Rival” afundou, a marinha de guerra portuguesa nada pudesse fazer... Os homens da Armada e Polícia Marítima que fazem aqui a guarnição são excelentes pessoas, altruístas, bons militares e como tal não se queixam. Pelo menos em público não o fazem. No entanto, é lamentável que desde que o navio do Instituto de Socorros a Náufragos teve de ser reparado – já lá vão dois anos! – não tenha vindo imediatamente para o Grupo Central/Ocidental um pequeno navio das classes “Argos” ou “Albatroz”, por exemplo, ou outro mais adequado. O Instituto de Socorros a Náufragos, passados dois anos, ainda não deslocou uma embarcação para esta zona. Os grandes meios ao dispor da Marinha, neste caso o helicóptero Puma da Força Aérea, demorou duas horas e meia para chegar ao local de afundamento do “Rival”. Curiosamente, ao cair da noite, quando já nada podia fazer... Não tivesse o Mestre Carlos localizado os náufragos, as embarcações civis seguido as suas indicações (por sua auto-recriação) e a coisa poderia ter sido muito mais complicada... No século XXI não é crível que um dos náufragos se tenha salvo porque encontrou uma tampa de um porão a flutuar! Não é admissível que uma embarcação de transportes marítimos não possuísse um EPIRB (sistema de detecção de afundamento) e não é admissível que a balsa de salvamento não possuísse meios pirotécnicos. As balsas são uma outra grande história que ficará para outro artigo...

Vamos entrar em 2003 sem DGPS (correcção diferencial para o sistema de geo-posicionamento global) a funcionar nos Arquipélagos portugueses! Mesmo no Continente, as instalações recentemente inauguradas só estarão plenamente testadas em Novembro de 2003!! Não é possível...

Sou biólogo-marinho e trabalho no mar. Tanto por ser cidadão português como por ser profissional interessado não posso deixar de estar indignado.

Talvez esteja na altura de dar finalmente as competências civis aos civis. Tal como em terra, nos grandes incêndios, ou no mar, em operação nas zonas ao Largo, ou quando as situações o justifiquem, os meios das Forças Armadas deverão ser colocadas ao serviço da dita sociedade civil, para além disso, não faz muito sentido que nas zonas costeiras a busca e salvamento, fiscalização, etc. seja efectuada pela Armada e Força Aérea. As competências da Marinha de Guerra devem ser: salvaguardar a integridade do nosso território (incluindo toda a ZEE), combater o terrorismo e integrar forças de defesa comuns, pelo bem, pelos direitos humanos e pela justiça. Para os civis, tal como acontece em terra, devem estar atribuídas as competências de salvaguarda da vida humana, actuar em caso de catástrofe ambiental (origem humana ou natural), fiscalizar a integridade económica e ecológica das nossas águas territoriais, busca e salvamento, emergência médica e transporte de doentes. As forças Civis deveriam incluir o Serviço Nacional de Bombeiros, a Polícia Marítima, Capitanias, Vigilantes da Natureza, Juntas Autónomas dos Portos, Instituto Marítimo-Portuário e o Instituto de Socorros a Náufragos. Alguns destes organismos já são civis; na minha óptica deviam progressivamente passar a ser todos. A ênfase no Salvamento deveria ser dos Bombeiros e a fiscalização na Polícia Marítima, sendo que a Polícia Marítima deveria sair da alçada da Marinha de Guerra Portuguesa (aliás como alguns dos próprios agentes preconizam). A marinha de guerra não tem formação para efectuar essas missões. Isso não significa que as pessoas que compõem a marinha não sejam bons profissionais: são excelentes profissionais e têm feito mais do que é sua obrigação, agora está na hora de separar as competências e deixar os militares serem militares.

Mas é a mesma Marinha que construiu e mantém o Instituto Hidrográfico. Na boa tradição do Rei D. Carlos, há uma instituição que estuda os mares e mantém as populações informadas sobre o evoluir de situações como a do “Prestige”. Bem hajam! Em Espanha, dado o bloqueio do Governo local às informações sobre o evoluir da situação, foi o Instituto Hidrográfico que manteve o alerta e informou as populações. As inesperadas palavras dos Galegos, em grande parte, dirigiam-se a vós! Acompanhem os bons trabalhos do Instituto Hidrográfico em http://www.hidrografico.pt/.

Esta crónica já vai longa e, por isso, opto por não falar este mês na política comum de pescas. Ficará para o mês que vem. Aí bem documentado, como gosto, escreverei sobre este assunto. Entretanto, e para quem queira informação sobre este assunto, poderão consultar o artigo recentemente publicado pela Manuela Nunes na Revista da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (Revista “Pardela”, número 17, páginas 14 e 15).


Publicado na coluna "Casa Alugada"

quinta-feira, 26 de dezembro de 2002

As capturas do bacalhau e outras histórias de terror

Ao ler o Diário de Notícias (28/10/2002 pág. 24) não consegui deixar de esboçar um sorriso amarelo. Lá estava a informação que os portugueses em geral mais podiam recear antes do Natal: "Bacalhau em vias de extinção". Esta notícia resulta de um aviso do ICES (Conselho Internacional para a Exploração dos Mares), que defende que a maioria das frotas europeias de pesca ao bacalhau devem cessar imediatamente as actividades! A pescaria do bacalhau é das mais bem estudadas do mundo e com quotas estabelecidas e respeitadas por todos; mesmo assim o Norte da Europa assistiu a uma diminuição contínua das capturas até níveis agora considerados insustentáveis. Evidentemente que, para além de quotas, no Mar do Norte e "arredores" existem períodos e zonas de defeso, o que não parece suficiente. A pescaria intensa e os níveis elevados de poluição não deixam os pequenos peixes chegar à idade de primeira maturação. Apesar dos altos níveis de fecundidade (na ordem dos milhões de ovos por fêmea), a pescaria não recupera. Se o leitor se preocupa, conhece e respeita os princípios de ordenamento e protecção dos mares, deverá estar já a interrogar-se: Então o que é que está mal? Conhecem-se as variáveis, existe um sistema de quotas, há defesos, foram implementadas medidas técnicas (alteração das malhas das redes de arrasto), o que pode estar errado para a pescaria continuar a decrescer? Infelizmente é simples e recorrente: falta de coragem política. Os técnicos avisaram que os níveis de pesca estavam e continuaram acima do aconselhável (ver "Pesca na Europa", edição da UE, nos. 12 e 13, págs. 5 a 7), nunca sendo drasticamente reduzidos. Agora é tarde.
A política comum de pescas está sob fogo e, provavelmente, é a principal responsável. Ao abrir os mares europeus à maioria dos países parceiros, ninguém foi, ou sequer quis ser, suficientemente responsável para fomentar uma gestão eficiente e os mananciais colapsaram. O mais incrível é que a Europa comunitária gasta 1400 milhões de euros para manter uma frota 40% superior ao sustentável! Pode dar azo ao seu descontentamento nas páginas da WWF em: http://www.panda.org/stopoverfishing/petition/.
Se por um lado os pescadores estão em muito má posição, a situação é, por arrasto, péssima em terra. Por cada pescador no mar, existem vários profissionais que trabalham no processamento do pescado, na sua revenda, manutenção de embarcações, segurança no mar, etc. Todos estes profissionais têm agora os empregos em risco.
Nem tudo são más notícias; segundo a ICCAT (Comissão Internacional para Conservação dos Tunídeos do Atlântico), há dados que indiciam que a pesca do espadarte está em recuperação, após 40 anos de declínio. A isso não será alheio o envolvimento de países como os Estados Unidos da América que baniram a exploração desta pescaria de uma área de 344 mil km quadrados e introduziram quotas severas. Segundo afirmou recentemente uma bióloga pesqueira: "para que os mananciais recuperem totalmente, é necessário que os grupos de pressão continuem vigilantes e que forcem a ICCAT a manter as quotas baixas".


P.S. Porquê "Casa-Alugada"? 1. O casa-alugada é um crustáceo, que se apodera das conchas produzidas por seres bem diferentes, os gastrópodes, para a sua sobrevivência; tal como eu, para escrever estas crónicas, junto ao meu, o conhecimento dos meus pares e outras fontes; 2. Este esforçado animal tem que utilizar um artifício para poder sobreviver no meio aquático; tal como nós, mergulhadores, utilizamos o equipamento de mergulho; e 3. Tal como o casa-alugada muda de concha, aqui exponho a minha efémera opinião, porque eu próprio só acredito nela enquanto não encontrar outra melhor.

Publicado na coluna "Casa Alugada"

terça-feira, 26 de novembro de 2002

O que é uma Área Marinha Protegida?


Apesar da definição ser controversa, Área Marinha Protegida (AMP) é genericamente "qualquer zona intertidal ou subtidal, legalmente ou tacitamente definida e com restrições na sua utilização ou exploração tendo como objectivo a protecção de recursos naturais ou culturais aí existentes". É corrente ouvir dizer que o objectivo ao criar uma área marinha protegida é fechar o mar, é impedir a sua utilização. Nada mais falso! Criar uma AMP é apenas implementar um conjunto de regras para que a utilização de uma área marinha seja sustentável ou que responda a necessidades de conservação mais vastas. Ou seja, nada impede, à partida, que exista uma AMP em que a caça, a pesca, ou qualquer outra actividade seja permitida. Uma área protegida pode, inclusivamente ter apenas restrições ao nível dos efluentes poluidores, sem consequências para as actividades extractivas.

Será que se pode considerar a Zona Económica Exclusiva uma AMP? De facto, poder-se-ia se esta tivesse sido declarada por razões ambientais ou culturais. Na realidade, a ZEE foi declarada por razões económicas (eventualmente de soberania também) e por isso, à partida, na minha opinião, não conta. Nos Açores, um decreto legislativo regional aplicou restrições à operação de uma determinada arte de pesca. Estabeleceu a interdição de utilizar artes de pesca demasiado intensivas (palangre de fundo) a menos de três milhas da costa. Se esta área fosse uma AMP, seria considerada uma das maiores da Europa. Isto aliás só nos ficaria bem, visto Portugal possuir a maior Zona Económica Exclusiva da União Europeia. No entanto, esta legislação foi proposta tendo como base as artes e não a área, por isso, na minha opinião, também não conta. Isto significa que para considerar uma zona AMP é necessário que o documento (seja lei ou acordo) que a classifica se centre na área e não nas limitações impostas.

Apesar disso e na realidade, parte do nosso mar é já área marinha protegida, pelo menos teoricamente. Apenas para referir alguns exemplos, no continente, dentro do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, está definida uma faixa com 2 quilómetros de largura e que se prolonga por toda a extensão do Parque. Na Madeira, existe uma AMP nas Ilhas Desertas para salvaguarda dos focas-monge que é exemplar. Não só resulta na protecção da pequena população aí existente, como, aparentemente, já estimula o aparecimento de focas-monge em novas áreas. É sobejamente conhecida a Reserva do Garajau, na qual uma população de meros é assiduamente visitada por mergulhadores. Também com a intenção de preservar um determinado ambiente e diversificar a actividade económica, na Ilha do Corvo dos Açores, os pescadores concordaram, voluntariamente, em salvaguardar uma pequena área.

Não se pense que é fácil para os Governos a criação de AMP. A responsabilidade de impedir uma utilização, por simples que esta seja, é elevada e raramente está livre de polémica. E para um político polémica é sinónimo de votos perdidos. Portanto, não haverá político que se arrisque a avançar com a protecção de uma determinada área sem estar sustentado em pareceres técnicos concludentes e apoio público inequívoco. Os técnicos, pelo seu lado, não podem aconselhar sem se escudarem em trabalhos de mar exaustivos e para isso tem de haver trabalho de base. Em paralelo, as AMP necessitam de monitorização para verificação dos efeitos das restrições impostas. Esta monitorização carece de meios financeiros e, por mais esta razão, o político ou o gestor terá limitações para a implementação de novas regras. Por estas razões, é absolutamente necessário que a opinião pública force os nossos dirigentes a avançar com a regulamentação das áreas marinhas classificadas, a pagar a monitorização das áreas já regulamentadas e a patrocinar os trabalhos de rastreio necessários para a preservação do nosso ambiente marinho.

Nós, os interessados no ambiente marinho e que entendemos a necessidade da sua salvaguarda, temos a responsabilidade de alertar e aliciar os restantes cidadãos para a susceptibilidade, riqueza e beleza dos nossos mares. É absolutamente necessário que cativemos todas as pessoas para a preservação do património fantástico que fica para lá da linha de água.

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quinta-feira, 26 de setembro de 2002

O Salmonete

Aquele peixe que não se farta de vasculhar a areia e que levanta uma névoa à sua volta é habitualmente o salmonete. Este escavador incansável acaba assim involuntariamente poralimentar diversos outros peixes oportunistas. Há duas espécies de salmonetes em Portugal, o Mullus surmuletus e M. barbatus. Neste artigo incidiremos especialmente sobre o primeiro.


Introdução


Este peixe da família Mullidae é facilmente identificado pelo seu par de barbilhos. Estes longos barbilhos (maiores que as barbatanas peitorais) têm funções tácteis e de determinação do sabor. O corpo é longitudinal, a cabeça é aplanada e tem grandes escamas.

Tem habitualmente 20 a 25cm, mas pode atingir 40 cm aos 10 anos de idade (1 kg) e habita os fundos rochosos, arenosos e lodosos desde os 2 até aos 80 metros de profundidade. Estão presentes preferencialmente na interface entre a rocha e areia.

Curiosamente, a coloração deste inofensivo peixe varia conforme a actividade. Durante o dia quando está inactivo ou durante a noite, a sua coloração passa dos tons laranja, amarelo e castanho para uma camuflagem pouco conspícua.

O salmonete, com nome científico Mullus surmuletus, pode ser facilmente confundido com o seu primo chegado M. barbatus. A forma mais simples de os distinguir é através das faixas que os M. surmuletus possuem na barbatana dorsal.

Outros peixes da família Triglidae, como o Trigloporus lastoviza e Trigla lucerna, também podem ser confundidos com o salmonete, dada a sua semelhança corporal. No entanto, a presença de extensas barbatanas peitorais e a ausência de barbilhos são características que facilmente ajudam a distinção.

O salmonete distribui-se em volta do continente europeu desde o Canal da Mancha (embora ocasionalmente apareça no Mar do Norte) até ao Senegal. Está também presente no Mediterrâneo e Mar Negro e nos arquipélagos da Macaronésia (Açores, Madeira e Canárias). Em termos gerais distribui-se no Atlântico Este desde os 55ºN aos 14ºN.

Reproduz-se entre Maio e Julho no Atlântico, incluindo Canal da Mancha e os Açores, e entre Março e Julho no Mediterrâneo. Estas diferenças parecem estar relacionadas com a diferença na temperatura das águas destas regiões. Os ovos são pelágicos (ou seja, encontram-se livres na coluna de água) e têm de 0.8 a 0.9mm. Os ovos eclodem 3 a 4 dias depois de ser libertados na coluna de água.

Enquanto escavam o fundo à procura de alimento, os salmonetes acabam por levantar plumas de areia que atraem outros peixes que assim se aproveitam para predar pequenos invertebrados que são projectados na coluna de água. Entre estes oportunistas contam-se as rainhas (Thalassoma pavo), os peixes-rei (Coris julis), os peixes-balão (Sphoeroidesmarmoratus), os sargos (Diplodus spp.) e as solhas (Bothus podas).

Voltando à alimentação: os salmonetes inserem a cabeça na areia, fazendo grandes buracos, e sugam alguma areia para a boca, depois filtram os animais que interessam para a sua alimentação e, finalmente, libertam a restante areia. O par de barbilhos também é utilizado para identificar as presas enterradas na areia. A alimentação consiste em organismos bênticoso que inclui pequenos crustáceos (como camarões e anfipodes), poliquetas, moluscos e peixes.

Muitas vezes, estes animais são observados em paralelo filtrando áreas com alguma dimensão.

Em todo o continente Europeu este peixe é muito apreciado pelo seu sabor. Tal como o sargo, o salmonete açoreano tem um sabor menos interessante. É um dos poucos peixes que podemos comer sem preocupações ambientais exacerbadas, visto que esta é uma das poucas espécies que não está em perigo. Apesar disso dada a facilidade de captura, a caça do salmonete não é muito interessante pelo que a sua captura não é considerado um troféu. Em alguns locais do globo este peixe é alvo de pesca desportiva à linha.

A lei nacional indica como tamanho mínimo de captura os indivíduos com mais de 11 centímetros. Este valor é manifestamente insuficiente para proteger a primeira reprodução que acontece aos dois anos de idade (entre os 15,5 e 17 cm). O pescador consciente não deve capturar os animais com comprimentos inferiores a 18 cm. Neste caso, o regulamento de caça da Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas é adequado e precaucionário contabilizando apenas as presas com pesos superiores a 400g.


Taxonomia


Filo – Chordata;

Sub-FiloPisces;

Classe – Actinopterygii;

Ordem – Perciformes;

Família – Mullidae;

Género – Mullus;

Espécie – Mullus surmuletus (Linnaeus, 1758).


Nomenclatura


Nome científico

Mullus surmuletus (Linnaeus, 1758)


Português, Castelhano (Canárias) e Creolo

Salmonete, salmonete-legítimo ou salmonete-vermelho (estes dois últimos apenas em Português)


Castelhano

Salmonete de roca, salmonete (Canárias)


Catalão

Moll de roca ou roger


Inglês

Striped red mullet, surmullet


Francês

Rouget, rouget de roche ou rouget-barbet de roche


Alemão

Gestreifte meerbarbe


Para saber mais:

Páginas internet:

Espécies Marinhas dos Açores – http://www.horta.uac.pt/species/

Fishbasehttp://www.fishbase.org/

Fórum Oceanoshttp://www.pg.raa.pt/oceanos/

Guias:

Debelius, H. 2000. Mediterranean and Atlantic Fish Guide. IKAN Unterwasserarchiv. 305p. - Guia de identificação dos peixes do Mediterrâneo e Atlântico. Está editado em Alemão, Inglês e Espanhol.

Patzner, R. & H. Moosleitner 1995. Underwater Guide Mediterranean Sea: Fish. Stuttgart, Naglschmid. 158p.

Wirtz, P. 1994. Underwater Guide Madeira-Canary Islands-Azores: Fish. Naglschmid, Stuttgard. 156p.


Agradecimentos

Ao Dr. Telmo Morato pela revisão do texto.


Biografia

Frederico Cardigos - é licenciado em Biologia Marinha e Pescas pela Universidade do Algarve. Estagiou no Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores (DOP/UAç) e é mestre em Gestão e Conservação da Natureza. É bolseiro do Centro do IMAR da Universidade dos Açores através do Projecto MAROV (MCT-FCT-PDCTM/P/MAR/15249/1999). Colabora activamente no Projecto MARÉ (EU-LIFE-B4-3200/98/509).



sexta-feira, 26 de abril de 2002

O Sargo

Introdução

Não há apenas uma espécie de sargo. Na realidade o género Diplodus agrupa 22 espécies e sub-espécies, tendo a última subespécie sido descrita em 1984 por Bauchot e Bianchi. Nenhuma das espécies está em perigo a nível mundial, embora o limite de distribuição de algumas delas seja muito limitado. Como resultado de uma versatilidade adaptativa elevada, o sargo especiou de forma surpreendente havendo sub-espécies cuja distribuição está limitada a um pequeno grupo de ilhas. Estes são os casos, por exemplo, do Diplodus sargus helenae que está limitado à Ilha de Santa Helena ou do D. sargus ascensionislimitado à Ilha de Ascensão (esta última sub-espécie é considerada uma espécie por alguns autores, Diplodus ascensiones)

Em Portugal continental a espécie mais comum é o Diplodus vulgaris e nos Açores é o D. sargus cadenati. Nos Açores, no meio de grandes cardumes da espécie mais comum, por vezes, aparecem elementos de D. vulgaris. Não é preciso estar muito atento para perceber que há algo de “errado” com aquele sargo. O contraste do prateado do D. vulgaris é desconcertante quando está no meio de um cardume de D. sargus cadenati.

Qualquer das espécies de sargos é inofensiva para os seres humanos.

Descrição

Neste artigo iremos focar principalmente o Diplodus sargus cadenati visto ser a espécie mais estudada nos Açores. Mas como distinguir esta espécies das restantes existentes em Portugal? Não é fácil. Comecemos por descrever o D. sargus cadenati: tem o corpo oval, elevado e é comprimido dorso-ventralmente, boca ligeiramente protáctil (distenção anterior dos maxilares no momento de ingestão da presa), a cor dominante é o prateado e, para além de uma mancha no pedúnculo caudal, apresenta faixas verticais, mesmo nos maiores indivíduos.


Diplodus cervinus – apresenta um corpo mais amarelado, sem mancha no pedúnculo caudal e as faixas verticais são largas.

Diplodus puntazzo – a melhor característica diagnosticante é possuir maxilares especialmente projectados anteriormente.

Diplodus sargus lineatus – apresenta faixas muito pronunciadas e mancha no pedúnculo caudal.

Diplodus sargus sargus – os adultos não apresentam faixas.

Diplodus vulgaris – tem a mancha no pedúnculo caudal e, por vezes, uma faixa (apenas) junto à cabeça, mas não apresenta faixas verticais ao longo do corpo.


Não desespere se não conseguir distinguir as espécies facilmente. De facto, nem mesmo os olhos mais treinados deixam de ter dúvidas na distinção entre algumas das espécies. Com o aumento do número de mergulhos irá verificar que existem ténues diferenças, até no comportamento, que o ajudarão a melhor sistematizar as espécies.

Biologia e Ecologia

Em termos de especiação, uma das razões para a versatilidade de adaptações advém da complexidade das maxilas. De facto, possuem caninos, molares e um outro tipo de dentes que se aproxima dos incisivos, o que lhes permite adaptarem-se a diversos tipos de alimentação. Pode-se dizer que as maxilas dos sargos são muito parecidas com as dos mamíferos. Estas características, aproximadas pela especiação nalgumas espécies, apesar de não estarem relacionadas geneticamente têm o nome de “análogas”. Nos casos contrários, quando ocorrem soluções diferentes com base na mesma raíz genética (por exemplo, os braços dos primatas e as barbatanas dos mamíferos marinhos), adopta-se o nome de “homólogas”.

O tamanho em que o sargo é mais habitualmente observado pelos mergulhadores situa-se entre os 20 e 30 cm. Na maioria das espécies, chega à maturidade quando atinge 17 cm, ou seja, com dois anos de vida os sargos estão aptos a reproduzir-se. Nos Açores o período de reprodução, no caso de D. sargus cadenati, ocorre entre entre Março e Junho. No Continente este processo é registado cerca de três meses mais cedo.

O habitat preferencial dos sargos coincide com as zonas de rochas ou semi-arenosas. Por vezes agrupam em zonas portuárias, independentemente do tipo de fundo, onde se alimentam de restos de peixe rejeitados pelos pescadores. Isto significa que para além de se alimentarem de pequenos crustáceos, moluscos (preferencialmente), salpas, algas, poliquetas e equinodermes também são necrófagos, o que é um reflexo da versatilidade alimentar referida anteriormente. Outro comportamento, que comprova a versatilidade dos sargos são as associações alimentares que estes mantêm com outros peixes, como os salmonetes (Mullus surmuletus). Os sargos aproveitam o trabalho dos salmonentes para se alimentarem de pequenos organismos que são levantados durante as escavações.

Encontram-se muitas vezes aglomerados em cardumes com cerca de uma dezena de indivíduos. Nestes cardumes, é comum encontrarem-se indivíduos de outras espécies. São observados em números elevados especialmente em buracos de média dimensão e nas zonas de rebentação junto à costa.


Captura

Com um pouco de exagero, pode-se dizer que o sargo é “a vítima”. De facto os caçadores submarinos e os pescadores de costa não lhes dão tréguas. A este comportamento por parte dos humanos alia-se na miséria dos sargos o seu próprio comportamento. Quando escondidos em buracos são presas fáceis dos caçadores, que podem regressar diversas vezes sem que estes entrem em fuga. O seu comportamento de fuga e ocultação quando estão em perigo pode-lhes ser adverso se estiverem na presença de um caçador experiente. Em mar aberto o comportamento não é habitualmente o mesmo, dificultando a captura por parte dos caçadores.

Os pescadores lúdicos, que da costa lançam os anzóis acabam por exercer o seu esforço de pesca, de uma forma concentrada, na área favorita dos sargos mais pequenos, a zona de rebentação. Como o esforço é elevado e eficiente, é importante respeitar os tamanhos mínimos de captura. Para estas espécies, um indivíduo com menos de 20 cm é um indivíduo demasiado jovem para ser capturado.

Inexplicavelmente, 15 cm é o tamanho mínimo de captura de sargos autorizado por lei. Num momento em que tanto se fala da ruptura de mananciais é pouco razoável manter um tamanho de primeira captura que potencialmente pode colocar em perigo a própria espécie.

Já num artigo anterior (ver Revista Mundo Submerso nº52) se chamou a atenção para a importância de modificar o peso mínimo de captura admitido pela Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas nas provas de caça submarina. Os actuais 400g não protegem todas as espécies de sargo em relação à primeira maturação. Era por isso importante subir o peso mínimo de captura para 550g.


O Sargo no mundo

Taxonomia

CLASSE: Actinopterygii

ORDEM: Perciforme
FAMÍLIA: Sparidae
ESPÉCIE: Diplodus spp.


Para saber mais

Internet

  • Espécies Marinhas dos Açores – http://www.horta.uac.pt/species/
  • Fishbase – http://www.fishbase.org/
  • Fórum Oceanos – http://www.pg.raa.pt/oceanos/
  • Páginas sobre sargo
    • http://www.ideal.es/waste/especies1.html
    • http://www.pedramol.com/pescados/sargo.htm
  • Página da FAO sobre sargo - http://www.fao.org/docrep/x0170f/x0170fa2.htm
  • Página sobre a Ilha de Santa Helena -http://geowww.gcn.ou.edu/~bweaver/Ascension/sh.htm
  • Página sobre espécies marinhas típicas de Lanzarote – http://www.intercom.es/agendagc/lanzarote/pescados.htm

Livros e Revistas

  • Bauchot, M.-L. e G. Bianchi 1984. Diplodus cervinus omanensis, nouvelle sous-espèce de Diplodus cervinus (Lowe, 1841), capturée en mer d'Arabie (Pisces, Perciformes, Sparidae). Cybium 103-105.
  • Cardigos, F., T. Morato e J.P. Barreiros 2001. Como conhecer, reconhecer e preservar a caça submarina. Revista Mundo Submerso, 52: 45-50.
  • Debelius, H. 2000. Mediterranean and Atlantic Fish Guide. IKAN Unterwasserarchiv. 305p. - Guia de identificação dos peixes do Mediterrâneo e Atlântico. Está editado em Alemão, Inglês e Espanhol.
  • Figueiredo, M. 1999. Ecologia alimentar do sargo de Diplodus sargus (Piscis, Sparidade) e do bodião-vermelho, Labrus bergylta (Piscis, Labridae), na ilha do Faial-Açores. Tese apresentada no âmbito da licenciatura em Recursos Faunísticos e Ambiente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
  • Morato, T., P. Afonso, P. Lourinho, J.P. Barreiros, R.S. Santos & R.D.M. Nash 2001. Length-weight relationships for 21 coastal fish species of the Azores, north-eastern Atlantic. Fisheries Research, 50: 297-302.
  • Morato, T.; P. Afonso; P. Lourinho; R.D.M. Nash; R.S. Santos. In prep. Reproductive biology and recruitment of Diplodus sargus cadenati de la Paz, Bauchot and Daget 1974 (Pisces: Sparidae) from the Azores.
  • Sanchez, J.G. 1989. Nomenclatura Portuguesa de Organismos aquáticos (proposta para normalização estatística). Publicações Aulsas do I.N.I.P.(Instituto Nacional de Investigação das Pescas), nº14, 322p.
  • Wirtz, P. 1994. Underwater Guide Madeira-Canary Islands-Azores: Fish. Naglschmid, Stuttgard. 156p.

Outros

Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas - Regulamento das Provas de Caça Submarina para o Ano 2001.

Legislação: Portaria nº 27/2001, de 15 de Janeiro.

Biografia

Frederico Cardigos - é licenciado em Biologia Marinha e Pescas pela Universidade do Algarve. Estagiou no Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores (DOP/UAç) e encontra-se na fase terminal do mestrado em Gestão e Conservação da Natureza. Hoje, é bolseiro do Centro do IMAR da Universidade dos Açores através do Projecto MAROV (MCT-FCT-PDCTM/P/MAR/15249/1999). Colabora activamente com o Projecto MARÉ (EU-LIFE-B4-3200/98/509).


Artigo completo, incluindo fotografias, pode ser lido aqui:
http://www.horta.uac.pt/Projectos/MSubmerso/old/200204/Diplodus.htm