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sexta-feira, 26 de dezembro de 2003

Áreas Marinhas Protegidas não são Reservas Integrais

Já escrevi isto, mas, dado que estou recorrentemente a ouvir este erro, deixem-me repetir: “Áreas Marinhas Protegidas não são Reservas Integrais!”. Ou seja, pelo facto de classificar uma área como área marinha protegida não fica implícito que se irá impedir o seu uso. Segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza e Recursos Naturais), numa versão simplificada, área marinha protegida é uma zona do mar, definida por lei e com um sistema dedicado que a regula tendo em vista a conservação da natureza ou salvaguarda dos recursos marinhos. Por “sistema” entende-se uma direcção, um corpo técnico ou outra entidade que tenha jurisdição sobre a área e aí possa promover ou inibir actividades. A classificação está relacionada com os usos possíveis, mas não implica que não se possa utilizar. Depois de classificar uma área como área marinha protegida, pode-se dividir a área em diversas partes de acordo com as características que possuem. A isto chama-se zonamento. Por exemplo, na Paisagem Protegida do Monte da Guia, na Ilha do Faial, Açores, existe uma área marinha (em volta do Monte) e que possui uma pequena zona que é Reserva Integral (as Caldeirinhas). Uma Reserva Integral não pode ser invadida por ninguém! Bom, há duas excepções: forças da ordem e técnicos devidamente autorizados pela entidade gestora. Normalmente, as áreas classificadas como Reserva Integral são muito pequenas e baseiam-se em justificações muito fortes. Por exemplo, a Área Marinha Protegida de Fernando Noronha (que é grande) tem uma pequena baía classificada como Reserva Integral (Baía dos Golfinhos). Esta baía foi identificada como um local importante para a reprodução dos golfinhos-rotadores e por essa razão está proibida a entrada a qualquer embarcação ou ser humano. É de tal forma protegida que, mesmo por terra, só se pode vislumbrar ao longe uma parte da baía.

A parte Sul das Desertas, na Madeira, também é Reserva Integral. Neste caso, foi declarada para protecção dos lobos-marinhos. Hoje em dia todos os dados indicam ter-se tratado de uma boa opção e, aparentemente, a população de lobos-marinhos, antes à beira da extinção, parece estar a renascer das cinzas.

Na ilha de Ustica, em Itália, a parte Norte tem uma pequeníssima parte que é Reserva Integral e a restante parte Norte pode ser utilizada desde que não haja extracção (pesca, caça, extracção de areia, etc.). Na parte Sul podem-se fazer todas as actividades (desde que de acordo com a lei geral, claro!). Neste caso, a justificação da Reserva Integral está relacionadacom a manutenção de um local com as características primitivas. A entidade gestora deste local espera que este pequeno local possa servir de termo de comparação para eventuais impactos das actividades que têm lugar nas restantes áreas. É um método engenhoso e muito divulgado a nível internacional.

Outros exemplos interessantes são as “áreas de silêncio”. Em certos locais há nidificação de aves marinhas junto à costa, em plena ravina. Quando uma embarcação passa a grande velocidade, fazendo grande barulho (como as motas de água), as aves podem assustar-se e as mais jovens cair para dentro de água e afogarem-se. Isto acontece, por exemplo, com osgarajaus. Para evitar que as aves marinhas caiam dentro de água pode-se impedir que, naquela zona costeira, junto à colónia nidificante, as embarcações passem a grande velocidade ou a fazer barulho. Como as aves não estão sempre a nidificar, esta zona até pode ser declarada “de silêncio” apenas em parte do ano.

As combinações de métodos para obter determinados resultados são tão complexos que não me atrevo a tentar sintetizá-los a todos. De qualquer forma, quero escrever o meu exemplo favorito de zonamento. Na Ilha do Corvo (Açores), há um local muito conhecido pelos mergulhadores. Trata-se do Caneiro dos Meros. Neste local os pescadores profissionais decidiram deixar de pescar junto ao fundo. O resultado foi muito interessante, os meros que aí vivem são os mesmos desde há cinco anos (posso confirmá-lo porque fui lá filmá-los pela primeira vez em 23 de Dezembro de 1998) e estão habituados à presença humana. Aproximam-se dos mergulhadores e permitem belíssimas fotografias. Ou seja, este zonamento voluntário permitiu o aparecimento de uma outra actividade com interesse económico: o turismo de mergulho.


Publicado na coluna "Casa-Alugada"

quarta-feira, 26 de novembro de 2003

A Vida Romântica do Biólogo Marinho


Escrevo estas linhas a bordo do Navio de Investigação “Arquipélago”. Estamos ao largo da Ilha do Pico, Açores, a realizar trabalho de sondagem do fundo para obtenção de batimetriada da área. A minha função é olhar para três ecrãs em simultâneo e tomar decisões sobre navegação, alcance da sonda e fazer a verificação dos sensores. É um trabalho tremendamente monótono. São duas e meia da manhã de sábado e eu estou aqui a tentar perceber porque raio escolhi esta profissão... Temos equipas de dois, para certificar que nenhum dos elementos adormece ou morre de tédio. Sinto-me como o guarda nocturno que olha para os monitores, mas, ao contrário deste, desejo que haja uma tentativa de assalto. Infelizmente, nada... Apenas o som do piloto automático e os ecrãs depositando imagens, sempre iguais, sempre diferentes, sempre iguais.
A decisão de um dia me tornar biólogo marinho foi tomada pela conjunção de uma miríade de factores. Alguns deles subjectivos e dos quais ainda hoje não me aperceberei, resultado de todas aquelas influências silenciosas como as que nos fazem sentir melhor ou pior neste ou naquele dia, sem razão aparente. Mas houve outras razões, bem definidas, nítidas, das quais tenho absoluta consciência: a visão romântica do mergulhador no meio de um qualquer recife de coral ou entre os sorridentes golfinhos (os golfinhos são sempre sorridentes no nosso imaginário...), o poder ajudar a conhecer melhor o mundo, trabalhar na “natureza”, enfim, uma série de pequenas coisas. O que eu não fazia ideia é que o reverso da medalha era tão pesado. Não quero falar em números, mas tenho a certeza que metade dos meus colegas não vai sequer para o mar. Não que estejam a fazer as coisas inadequadas à sua formação, nem pensar nisso! Mas, em certas pesquisas, não é, de todo, necessário ir para o mar. Depois, entre aqueles que vão para o mar, poucos mergulham. A maioria analisa o resultado de uma pescaria, estuda as propriedades físicas da água, mas não precisa de saltar para dentro de água. 
Os biólogos que usam os veículos de operação remota (ROV) para verificar os meios mais inóspitos, como os que são alvo de focos de poluição, apesar de não entrarem fisicamente dentro de água, já conseguem ter uma imagem do meio. Sempre é melhor. 
Há também o biólogo marinho que penetra dentro de água, mas que não se molha. São os biólogos que mergulham nos submarinos e visitam as fontes hidrotermais e outros locais fantásticos. 
Finalmente, temos os biólogos que se molham. Aquele tipo que alimenta o sonho dos jovens adolescentes e que tem as “grandes aventuras subaquáticas”! Aquele que, sortudo, penetra no meio marinho e faz observações subaquáticas, marca os tubarões com uma arma de caça submarina transformada, e, no mesmo mergulho, filma as tartarugas no recife de coral. Nada mais enganador, no entanto... A verdade é que este mergulhador, biólogo-marinho, terá que fazer centenas de horas de observação subaquática para chegar a qualquer conclusão cientificamente válida. O mergulho chega a um ponto em que é tão mecânico e as observações paralelas ao objecto em estudo são tão previsíveis que uma ida ao café da esquina pode ser mais excitante. Mas, pior ainda, o tempo passado dentro de água ou na preparação dos mergulhos é a melhor parte porque 75% do tempo de trabalho é feito à secretária, olhando para um computador, inserindo dados, analisando esotéricos gráficos multidimensionais...
Noutro dia serei mais positivo, quando estiver longe destes ecrãs, mas hoje isto não está a correr nada bem... Tento recordar-me da semana passada quando fiz censos de animais subaquáticos nas Formigas, de há duas semanas atrás quando recolhi amostras no leito do D. João de Castro e de há três semanas quando estive a recolher imagens no Princesa Alice... Lembro-me com saudade e a pensar, até breve!

Publicado na coluna "Casa-Alugada"

domingo, 26 de outubro de 2003

As Moreias

Apesar do seu glamour ameaçador, as moreias raramente passam disso: “ameaçadoras”. De resto, de dia permanecem basicamente de guarda aos seus buracos, com a boca aberta, esperando que uma incauta presa passe por perto, ou posando indulgentemente para a máquina fotográfica. À noite, grande parte das espécies de moreias saem dos seus “covis” epredam activamente.

As moreias são peixes, teleósteos, da família Murenidea. A grande diferença entre as moreias e os congros reside na inexistência de barbatanas peitorais no caso das primeiras. O corpo das moreias é anguiliforme, musculado e a pele é espessa. As barbatanas ímpares estão unidas desde o dorso anterior, habitualmente antes das “fendas” branqueais até à faceventral e terminando no ânus. A dimensão da boca é média a grande e a dentição varia de acordo com a espécie. As colorações e padrões cromáticos também são específicos, o que em Portugal muitas vezes facilita a identificação. Têm interesse gastronómico e são muito apreciadas tradicionalmente em regiões como a Madeira, os Açores e o Alentejo.


As espécies


No mundo estão registados cerca de 10 géneros e mais de 100 espécies de moreias. Em Portugal, na faixa acessível à maioria dos mergulhadores, existem 4 espécies, sendo que, destas, apenas a moreia-pintada é habitualmente observada em mergulhos no Continente. As restantes espécies (moreão, moreia-preta e moreia-víbora) existem e são vistas pelosmergulhadores nos Arquipélagos dos Açores e Madeira. Todas as espécies são alvo da pesca artesal e nenhuma delas está citada no livro vermelho das espécies em perigo.

O moreão pode atingir um metro de comprimento. O seu corpo é castanho, particularmente mais escuro na zona da cabeça. Os olhos são escuros, quando comparados com os damoreia-preta. Também facilita o seu reconhecimento o facto de possuir um focinho comparativamente curto. A dentição é composta por pequenos e rijos dentes, capazes de trespassar qualquer carapaça quitinosa ou calcária. Por esta razão, alimenta-se facilmente de caranguejos e bivalves. Visto não serem as suas presas favoritas, é muitas vezes encontrado nacompanhia de espécies de pequenos peixes. Para além das tradicionais fendas e buracos, habitualmente utilizadas pelas moreias, esta espécie em particular também pode ser encontrada em fundos arenosos e de gravilha. Distribui-se desde os 0 aos 80m do Mar Mediterrâneo, desde os Açores até Cabo Verde, passando pela Madeira, Canárias e pelo Golfo da Guiné, havendo ainda registos no Sul de Portugal. Esta espécie é considerada inofensiva para o homem.

A moreia-pintada pode atingir 1,5 metros de comprimento total. Alimenta-se de peixes, lulas e caranguejos. Pode ser encontrada no Atlântico Oriental, desde as ilhas Britânicas até ao Senegal, passando pelas costas de Portugal Continental, Mediterrâneo, Açores, Madeira, Ilhas Canárias (especialmente nas zonas de águas mais frias) e Cabo Verde. Pode causar traumas em caso de ataque.

A moreia-preta pode atingir um metro e trinta centímetros de comprimento. A coloração especialmente esbranquiçada dos olhos é a característica que permite mais facilmente a identificação desta espécie. Os olhos contrastam com a coloração do corpo que pode variar entre o azul escuro e o castanho, de acordo com o fundo onde se encontra (já que esta espécie possui capacidade mimética). Encontra-se apenas pelos arquipélagos Macaronésicos: Açores, Madeira e Canárias desde a zona entre-marés até aos 100 metros de profundidade. Durante muito tempo esta espécie foi considerada apenas uma variante cromática da moreia-pintada até que se analisaram as características morfométricas e se chegou à conclusão que as diferenças na estrutura óssea da cabeça eram suficientes para justificar a descrição de uma nova espécie. Esta análise cuidada revelou que o focinho desta espécie é maior que o das moreias-pintadas.

A moreia-víbora pode medir até um metro e vinte centímetros. A espécie é facilmente reconhecível pelo aspecto amarelado e pela dentição, meia transparente, de aspecto especialmente ameaçador. Este aspecto ameaçador é reforçado pela sua incapacidade de fechar totalmente a boca, devido aos maxilares ligeiramente arqueados. No entanto, a ameaça é amplamente exagerada. Na realidade os seus dentes são demasiado compridos e frágeis, o que impossibilita a sua alimentação ser direccionada para animais de carapaça dura, como os caranguejos. Durante o dia encontra-se escondida em fendas e buracos, aproveitando a noite para atacar peixes, lulas e polvos, embora a sua dieta não seja totalmente conhecida. O seu comportamento, essencialmente noctívago, faz-nos crer que é muito menos abundante do que na realidade é. Distribui-se pelo Mediterrâneo, Açores, Madeira, Canárias, Cabo Verde, Ascensão, Santa Helena e Bermudas (quase todos os arquipélagos Atlânticos). Verticalmente, ocorre desde os 0 até aos 30 metros de profundidade. É considerada inofensiva.


Comportamento reprodutor


Apesar do conhecimento sobre a fase de libertação de ovos ser restrito a um pequeno número de observações, as moreias já foram observadas a contorcerem o corpo, libertando ovos pelágicos.

Algumas espécies agregam-se para reprodução. Enquanto permanecem nestas agregações já houve relatos de ataques activos a mergulhadores.


Sentidos


A maioria das espécies de moreias vê mal. Para se orientarem, confiam essencialmente no sentido do olfacto, o que as obriga a aproximar de objectos para os reconhecerem. Porvezes, atitudes tomadas como agressivas são apenas uma tentativa, por parte da moreia, de identificar o organismo que se encontra na sua frente.

Algumas espécies possuem nostrilhos tubulares (pequenos prolongamentos nasais), os quais permitem facilmente reconhecer a direcção de um determinado odor. Depois de determinada a presença de uma potencial presa, a moreia aproxima-se até confirmar o sabor da presa, através de órgãos sensoriais que possui nos lábios, e ataca com uma mordida rápida. Alguns peixes, como as vejas, enquanto dormem produzem um muco que as torna “invisíveis” aos órgãos sensoriais das moreias. É possível que uma moreia durante o período nocturno passe por cima de uma veja sem notar a presença de uma óptima presa.


Limpeza


As moreias são dos animais que beneficiam com as chamadas “estações de limpeza”. Estes locais são conhecidos por albergarem pequenos animais, como pequenos camarões ou peixes, que limpam outros animais potencialmente seus predadores. Os parasitas limpos desta forma servem de alimento aos limpadores e libertam os de maior porte dos parasitas. Estas relações de comensalismo (relação em que ambas as espécies saem beneficiadas) são intrigantes, especialmente porque alguns dos limpadores, noutros contextos, são presas dos animais de maior porte. Durante a limpeza, os animais de maior porte parecem ficar num estado de latência ou letargia. Nalguns casos este estado é atingido antes do início das operações de limpeza, como que a indicar que o processo deve ser iniciado ou a informar os animais de menor porte que, a partir daquele momento, o predador “sai de funções”.


Ataques a humanos


As moreias mais perigosas são, curiosamente, as que foram condicionadas (vulgo “amestradas”) através do alimento. O facto de estarem à espera de serem alimentadas pelosmergulhadores leva a que estes animais confundam partes do corpo dos mergulhadores com a esperada comida. Os dedos dos mergulhadores são confundidos com comida, porque as moreias vêm mesmo mal...

Apesar de não serem habitualmente agressivas, algumas espécies podem provocar ferimentos sérios e dolorosos. Independentemente da gravidade aparente, um ferimento causado pela mordedura de uma moreia poderá implicar a necessidade de utilização de antibióticos, pelo que deverá consultar um médico com a brevidade possível.


Para saber mais

Bauchot, M.-L., 1986. Muraenidae. p. 537-544. In P.J.P. Whitehead, M.-L. Bauchot, J.-C. Hureau, J. Nielsen and E. Tortonese (eds.) Fishes of the North-eastern Atlantic and theMediterranean. Volume 2. UNESCO, Paris.

Debelius, H. 2000. Mediterranean and Atlantic Fish Guide. IKAN Unterwasserarchiv. 305p. - Para além do Inglês, este guia de identificação para peixes do Mediterrâneo e Atlântico está também editado em Alemão e Castelhano.

Froese, R. e D. Pauly. Editores. 2003. FishBase. World Wide Web electronic publication. www.fishbase.org, versão de 1 de Setembro de 2003.

Nancy’s Portugal Site - http://home.online.no/~nancys/portugal/madeira/sports/diving/fish07.html

Saldanha, L. 1995. Fauna Submarina Atlântica. Publicações Europa-América. 364p. - O facto de estar escrito em Português confere-lhe uma franca vantagem em relação a outros guias.

Wirtz, P. 1995. Unterwasserführer Madeira / Kanaren / AzorenFische. Vol. 8. Delius Klasing Edition Naglschmid. 159p.

Agradecimentos

Ao Rogério Ferraz pelas correcções e por ter chamado a atenção para as associações entre as diferentes espécies de moreias e as diferentes espécies acessórias. Ao Filipe Porteiro,Fernando Tempera, Vera Guerreiro e Margarida Abecasis pela revisão do manuscrito.


Biografia


Frederico Cardigos é Licenciado em Biologia Marinha e Pescas pela Universidade do Algarve e é Mestre em Gestão e Conservação da Natureza pela Universidade dos Açores. É bolseiro do Centro do IMAR da Universidade dos Açores através do Projecto, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, MAROV (PDCTM/P/MAR/15249/1999).


Leia o artigo completo em:

http://www.horta.uac.pt/Projectos/MSubmerso/old/200310/Moreias.htm



Notas Por esse Mar Fora

Em Portugal cada vez que se fala de protecção no mar as primeiras coisas em que se pensa é em fiscalização e culpados. Infelizmente, poucas são as atitudes construtivas, em que se pensa na primeira pessoa de uma forma realmente pró-activa. Ou seja, poucas vezes pensamos no que podemos nós fazer pelo nosso Mar. Limitamo-nos ao papel passivo de culpar a actividade complementar à nossa, isto se estivermos sequer minimamente interessados. Os pescadores culpam os cientistas por não atribuírem quotas de pesca adequadas, os cientistas culpam os políticos por não respeitarem o ordenamento sugerido, os caçadores submarinos culpam os pescadores e as redes dos pescadores, os pescadores de costa culpam os caçadores submarinos, os políticos culpam a inacção da fiscalização, a fiscalização culpa todos os outros por não lhe darem meios e não respeitarem a legislação... O número de relações e culpados é extensível a todos os interessados na utilização do mar.

Poderia ser adequado deixar para o Estado o papel de fazer a legislação, a fiscalização e para os cidadãos apenas o papel mecânico de cumprir a lei. Poderia ser indicado, embora triste. Não se deixaria nada à improvisação nem ao acaso. Nós, robots incompletos da nossa própria sociedade... E o pior é que mesmo assim não funciona. Segundo a WWF, a propósito de vontade política: “em Portugal (Continental), Bélgica, Dinamarca e França, infelizmente, em termos de vontade, interesse e recursos, parece ter havido uma reviravolta para pior em relação à conservação marinha. Nos Açores, por outro lado, a vontade política e a consensualidade dos utilizadores do mar aponta numa direcção promissora de maior protecção das águas Açoreanas”. O que é que esta região tem feito de especial? É simples: tem-se empenhado em agir! Os políticos empenham-se em pedir informações aos cientistas e a passá-la aos pescadores, os caçadores submarinos tendem a respeitar a legislação, a sociedade em geral fiscaliza e reprova os comportamentos desviantes dos pescadores, os operadores turísticos tentam criar alternativas economicamente viáveis às actividades puramente extractivas e os cientistas estão no mar, analisando a situação, vão às lotas verificar minuciosamente as descargas... No fundo é tão fácil, basta que cada um cumpra o seu papel de uma forma construtiva, fazendo o seu melhor, construindo um mundo mais confortável.

Isto não significa que tudo esteja bem neste paraíso marinho, longe disso. Também o “paraíso” tem problemas e muitos deles resultam também de alguma falta de ordenamento e empenhamentos duvidosos. Mas o factor positivo é que estamos no bom caminho. Graças a não empatar com variáveis inúteis como a culpa e a falta de fiscalização. Mais do que ficar a discutir é preciso fazer!

Estou no Mar, ao largo de Santa Maria. A bordo do N/I “Arquipélago” estamos na Missão “Bancos 2003”. Já realizamos mais de uma dezena de imersões e falta o mesmo número para acabar. Já passámos pelos Bancos Princesa Alice e D. João de Castro, pela Caloura em São Miguel e Costa Sudeste em Santa Maria. Falta-nos imergir nas Formigas e Dollabarat, que ficarão para os próximos dias. O diagnóstico é simples e a intervenção de uma complexidade extrema. Há falta de pescado de todas as espécies com valor comercial médio a alto e é necessário reduzir ou reorientar o esforço de pesca. São conclusões extensíveis a todos os mares da Europa. Segundo o ICES, de 118 pescarias por eles analisadas no Atlântico-Norte, apenas 18% estão dentro de níveis sustentáveis. Toda a gente sabe os problemas e as soluções, só falta mesmo, fazer!

Fontes:

- “Do Governments Protect the Treasures of Our Seas? Measuring progress on marine protected areas” 2003. Relatório da WWF sobre a implementação das Áreas Marinhas Protegidas.

- “Environmental Status of the European Seas” 2003 – International Council for the Exploration of the Sea. Editado pelo Ministério Federal para o Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha.


Publicado na coluna "Casa-Alugada"

terça-feira, 26 de agosto de 2003

O Verme-do-Fogo

Este pequeno animal com apenas alguns centímetros tem uma capacidade de defesa invejável, a qual, aliada a uma ampla dieta faz com que seja um dos animais bem adaptados aos ambientes costeiros de das zonas tropicais e temperadas do Atlântico e Mediterrâneo.

O verme-do-fogo é um anelídio, pertence à Classe das poliquetas (a Classe mais antiga dos anelídeos) e tem o nome científico Hermodice carunculata. As poliquetas são muito abundantes havendo mais de 8000 espécies marinhas descritas e a dimensão dos animais adultos pode variar entre os poucos milímetros até 50 cm de comprimento. O grupo das poliquetas inclui animais comuns e sésseis, como os espirógrafos (Sabella spallanzani), outros têm vida livre, como é o caso do verme-do-fogo. Para além do Hermodice, há outros vermes-do-fogo pertencentes aos géneros Eurythoe, Chloeia e Amphinome, mas neste artigo vamo-nos restringir ao Hermodice carunculata.

O corpo do verme-do-fogo, como todos os anelídios, é composto por anéis (ou segmentos) dispostos longitudinalmente. Os anéis são achatados e o comprimento total do indivíduo pode atingir chega 30 cm (embora em cativeiro possa atingir dimensões mais elevadas). A cor da zona ventral pode variar entre o amarelo e o vermelho a parte dorsal varia entre o castanho pálido e o preto. A separação dos aneis é facilmente visível exteriormente pela existência de uma linha branca. As brânqueas são detectáveis pela coloração avermelhada.

Apenas os anéis da cabeça e zona posterior são especialmente diferentes, sendo os restantes identicos. Todas as poliquetas possuem em cada segmento um par de órgãos chamados de parápodes. Os parápodes podem assumir funções diferentes conforme a espécie de poliqueta. No caso do verme-do-fogo, cada anel ou segmento possui sedas ocas e brancas, as quais possuem veneno no seu interior e que servem para defesa ou ataque. As sedas possuem minúsculos arpões na extremidade que, no caso de um ataque, penetrarão e permanecerão no corpo da vítima, destacando-se do verme-do-fogo. Para ocorrer libertação de sedas não é necessário contacto, basta aumentar o stress a que a poliqueta está sujeita. Mesmo para os seres humanos, a dor causada pelo toque num verme-do-fogo pode ser muito elevada, causando irritação intensa da pele e ardor (daí o nome de verme-do-fogo). No caso de tocar num verme-do-fogo pode tentar remover algumas das sedas colocando e retirando adesivo sobre a parte da pele exposta. A lavagem com álcool também pode aliviar a dor, mas o melhor mesmo é não lhes tocar!

Quando se sente ameaçado, o verme-do-fogo eriça-se, expondo as sedas de uma forma mais acentuada. Esta defesa permite-lhe deambular pelos fundos marinhos mesmo durante o dia, o que não acontece com a maioria dos animais sem exosqueleto.

Estes animais possuem sexos separados, embora, quando adultos, não sejam discerníveis a olho-nú. Tal como a maioria das poliquetas, quando expostos a extremos de temperatura, salinidade ou pH, libertam ovos ou esperma, numa última tentativa de deixar descendência, e depois morrem.

É um animal comum na maioria dos fundos rochosos das ilhas Atlânticas de Portugal. Visto não ser alvo de qualquer pescaria, o seu número é elevado e a espécie não se encontra em qualquer perigo. O pico da abundância é por volta das 16 horas solares, embora possa ser facilmente oberservado durante todo o período diário.

O verme-do-fogo distribui-se pelo Atlântico tropical, incluindo também a Ilha de Ascensão, os Arquipélagos da Madeira e dos Açores e Mediterrâneo. Pode ser encontrado em recifes de coral, por baixo de pedras, ou no meio de fundos compostos por algas ou em fundos de vasa, desde a superfície até aos 60 metros de profundidade.

É um animal predador, mas também se pode alimentar de animais mortos (necrófago) ou mesmo em putrefacção (saprófago). Para a detecção da comida possui um órgão especializado, com o nome carúncula, localizado na cabeça. Depois de detectarem o alimento, iniciam uma "frenética" perseguição até o alcançarem. A sua dieta é composta por animais como peixes mortos, corais, anémonas (que podem ter até 10 vezes o seu tamanho), nudibrâqueos, gorgónias ou outros organismos sésseis. Algumas anémonas, através da variabilidade da descendência e apuradas por selecção natural, já desenvolveram mecanismos de defesa para escapar aos ataques de vermes-do-fogo. Apesar de ser um organismo solitário, pode, por vezes, ser observado a alimentar-se em grupo. Por outro lado, o verme do fogo serve de alimento a diversos predadores como algumas espécies de caranguejos e camarões.

Dado serem animais que se arrastam lentamente pelos fundos e terem cores vivas e contrastadas, são facilmente fotografáveis e com resultados muito compensadores. As fotografias de detalhes de vermes-de-fogo, que associam alguns anéis do seu corpo (escuros) às sedas (brancas e vermelhas), já valeram alguns comentários muito positivos ao trabalho da maioria dos fotógrafos subaquáticos, mesmo amadores.

Estes animais são especialmente odiados pelos aquariofilistas especializados em corais, pois os vermes-do-fogo em cativeiro podem desequilibrar o frágil e pequeno ecossistema. Para além disso, o seu comportamento no aquário é tímido o que inviabiliza a sua detecção até ser tarde demais... Outros aquaristas defendem o interesse e beleza desta espécie, apelando para a sua exposição, mas nunca em conjunto com outros organismos sésseis (a menos que para servirem de alimento...)

É também nas coisas pequenas que se escondem muitas das belezas e mistérios subaquáticos. É como que um renovar do interesse, quando o mergulhador passa da contemplação pelos grandes peixes e paisagens espectaculares para as pequenas delicadezas marinhas. Para quem ainda não o fez, nada como mergulhar e começar a redescobrir o mar numa nova, pequena, complexa e delicada dimensão onde, entre outros, se encontra o verme-do-fogo.

Para saber mais

Taxonomia:
Filo: Annelida
Classe: Polychaeta
Sub-classe: Errantia
Família: Amphinomidae
Espécie: Hermodice carunculata

Nomenclatura:
O verme-do-fogo pelo mundo: "verme-do-fogo" ou "lagarta do fogo" (PT), "rag worm", "bearded fireworm" ou "bristle worm" (UK), "ver de feu" (F), "vermocane" (I), "feuerwurm" (D).

Guias de identificação:

Moonsleitner, H. & R. Patzner 1995. Unterwasserführer: Mittelmeer (Niedere Tiere). Verlag Naglschmid, Estugarda. 214p. Guia de invertebrados muito completo para o Mediterrâneo. Tem boas fotografias e muita informação interessante sobre a bio-ecologia de algumas espécies.

Morton, B., J.C. Britton & A.M.F. Martins 1998. Ecologia Costeira dos Açores. Sociedade Afonso Chaves, Ponta Delgada. 249p. Este livro transmite valiosos conhecimentos sobre o funcionamento dos ecossistemas costeiros dos Açores. Obrigatório na preparação de estudos sobre ecologia na zona entre o supralitoral e o infralitoral dos Açores.

Saldanha, L. 1995. Fauna Submarina Atlântica. Publicações Europa-América. 364p. O facto de estar escrito em Português confere-lhe uma franca vantagem em relação a outros guias do género.

Wirtz, P. 1995. Unterwasserführer: Madeira, Kanaren, Azoren (Invertebrates). Verlag Naglschmid, Estugarda. 247p. Guia de invertebrados muito completo para os Arquipélagos da Madeira, Canárias e Açores. Tem boas fotografias e muita informação interessante sobre a bio-ecologia de algumas espécies.

Internet:
Bloob.it - http://www.bloob.it/Biologia/specie/anellidi/hermodice.htm

The Krib: Aquaria and Tropical Fish - http://www.thekrib.com/Marine/bristle.html

Advanced's Aquarist Online Magazine - http://www.advancedaquarist.com/issues/may2003/short.htm

Biografia:

Frederico Cardigos - é licenciado em Biologia Marinha e Pescas pela Universidade do Algarve. Estagiou no Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores (DOP/UAç) e é mestre em Gestão e Conservação da Natureza. É bolseiro do Centro do IMAR da Universidade dos Açores através do Projecto MAROV (MCT-FCT-PDCTM/P/MAR/15249/1999). Colabora activamente no Projecto OGAMP (Interreg IIIb).

Leia o artigo completo, incluindo ver as fotos em:
http://www.horta.uac.pt/Projectos/MSubmerso/old/200308/Hermodice.htm


Mar a Saque

No Verão, uma das tarefas que me está atribuída profissionalmente é viajar entre as ilhas dos Açores e monitorizar alguns índices de saúde ambiental marinha. Não é uma tarefacomplicada, embora seja exigente do ponto de vista físico. É necessário mergulhar muito, registar a abundância da maioria das espécies e depois retirar algumas conclusões. Uma das tarefas complementares, para certificar que os dados obtidos estão correctos é conversar com os utilizadores. Estes utilizadores vão desde o pescador (que é a melhor fonte de informação), aos operadores turísticos (começando pelos guias de mergulho, e passando pelos skippers de embarcações de passeio), aos polícias marítimos e a outros interessados. A informação obtida por esta segunda via tem a vantagem de calibrar os dados obtidos durante o mergulho e de dilatar o período de amostragem para além do momento de monitorização.

Durante esta actividade, quando se proporciona ou há interesse por parte da população local, fazemos palestras públicas em que explicamos o nosso trabalho e mostramos algumas imagens do que temos visto no mar. Vivam as máquinas fotográficas digitais, que permitem sair fora de água e ter acesso imediato às imagens e com uma qualidade muito razoável! Da discussão gerada nas palestras obtém-se ainda mais informação que acaba por servir de complemento às entrevistas específicas.

Utilizando esta aproximação a três tempos: verificação no local, entrevistas e palestras obtém-se um quadro realista do estado do ambiente e podem fazer-se sugestões sobre o caminho a seguir no sentido de manter ou recuperar os valores ambientais. Estas sugestões são mais tarde adaptadas à realidade sócio-económica pelos gestores políticos sob a forma de lei, regulamentos, disposições transitórias, etc. Este é o processo.

Apesar de não ser nossa competência, pelo facto de estarmos no terreno, somos alvo de desabafos sobre o empenho e eficiência das medidas de conservação da natureza. É interessante verificar que não há qualquer conversa que não passe por duas carências: falta de participação pública e de fiscalização. Em relação à primeira, parece-me que é um problema global. A falta de empenho das pessoas nas decisões que as afectam resulta em factos tão graves como a abstenção nos processos de escolha de representantes (abstenção eleitoral), daí não ficar espantado pelo mesmo acontecer no mar. No entanto, sabendo quão bonito e espectacular pode ser o mar, parece-me que ainda poderemos fazer mais para cativar o público. É algo que as pessoas que se preocupam pela coisa marinha terão de fazer no quotidiano.

Já a segunda resulta de problemas mais palpáveis e com resolução mais fácil, caso passe a haver interesse por parte do poder político e, a outros níveis, pelas estruturas por ele criadas. O nível de fiscalização do mar desceu a níveis tão baixos que chega a ser hilariante pelas piores razões. Basta sair para o mar, coisa que a polícia marítima não faz tantas vezes como o necessário, para ver as enormidades ambientais mais inacreditáveis. Para além do ambiente, a própria segurança no mar é de todo esquecida pelos prevaricadores. Receio o pior e não apenas em termos ambientais... E quando questionados os prevaricadores, a resposta é unanime: “se não formos nós são os outros, o mar está a saque!” Quando interrogada a polícia marítima, a resposta também é unanime: “dêem-nos meios!”.

Não vou aqui debater as razões que estão por trás deste alheamento, mas é inacreditável que quando se fala da manutenção da jurisdição de Portugal sobre as 200 milhas da ZEE, os mesmos dirigentes se esqueçam que aos direitos estão associadas responsabilidades. O alheamento da protecção das zonas costeiras de Portugal tem de terminar urgentemente, antes que seja tarde demais. Está à vista de todos (e este todos é mesmo TODOS) que o mar está abandonado. É urgentíssimo fazer alguma coisa!

Publicado na coluna "Casa Alugada"

sábado, 26 de julho de 2003

O Desenvolvimento Sustentado do Mar

Dia 5 de Junho tive a oportunidade de assistir a uma conferência pública do Professor Mário Ruivo. Tenho que adiantar que para nós, a generalidade dos biólogos marinhos portugueses, o Professor Mário Ruivo, a par do Professor Luiz Saldanha e do Investigador Emygdio Cadima, é uma das sumidades fundamentais da nossa própria identidade enquanto profissionais. É uma daquelas pessoas que fala com um enorme conhecimento de todos os temas que ligam o homem ao mar, ao que alia, ainda por cima, o saber próprio da idade. Portanto, o que o Professor Mário Ruivo diz é, para mim e à partida, uma verdade insofismável.

Nesta conferência, o Professor falou na importância da participação pública para o desenvolvimento sustentável. A partir das suas palavras, eu próprio criei a minha interpretação queagora partilho convosco.

Esta coisa do “desenvolvimento sustentável” nasceu em 1987 com o Relatório “O Nosso Futuro Comum”, também conhecido por Relatório Brundtland. A importância da “participação pública” no reforço do desenvolvimento sustentável ficou fortalecida na Conferência do Rio, 1992. Depois de Joanesburgo, em 2002, passou a defender-se algo chamado de “triálogo”. Digamos que, pela forma como eu pessoalmente o interpreto, o triálogo é a declaração de vitória do mundo capitalista. Assume-se que para além do Estado e da Sociedade Civil, a iniciativa privada tem uma palavra e uma responsabilidade no desenvolvimento sustentável. Ao Estado cabe o papel de mediador e à Sociedade Civil o papel de inventor e reivindicador. Não que me agrade, mas é uma aproximação realista, talvez compatível com um dos objectivos depois de Joanesburgo: “que os benefícios da globalização sejam para todos”. É difícil ver muitos benefícios na globalização: porque raio temos de ser todos iguais? Penso que a globalização pode ser uma machadada muito pouco interessante na diversidade e na Cultura, mas é certamente uma oportunidade para que os países pobres passem a ter acesso a comida. Tenho dúvidas que isso funcione assim, mas, de certa forma, é positivo que os países tenham consciência que, já que não podem lutar eficientemente contra a globalização, ao menos, ganhem algo com ela... É uma perspectiva um pouco derrotista, mas, quem sabe, realisticamente saudável.

A nível pessoal, tenho de repetir, nada disto me agrada muito. Penso que a iniciativa privada, enquanto tal, deveria ter um papel secundário em relação à sociedade civil e ao Estado, mas, realisticamente, se calhar este é o caminho a seguir. De facto, grandes empresas como, apenas a título de exemplo, a Coca-Cola, a Microsoft ou a Nestlé, têm um poder muito maior do que qualquer ONG, mesmo pensando na WWF, na Amnistia Internacional ou em outras. Se conseguirmos incutir a essas empresas um sentido de responsabilidade equivalente ao poder que já têm, talvez o mundo passe a ser um pouco melhor.

Como se traduzirá essa responsabilidade é algo que ainda não consigo vislumbrar. A Coca-cola continua a produzir uma bebida que faz mal, a Microsoft programas de computador que encravam e a Nestlé está a uniformizar a comida a nível mundial. Como podem essas companhias ser re-orientadas para um papel responsável? Elas não podem sequer imaginar a perda de lucro, seria contra-producente... Então como é que isto se irá processar? Não sei. O Professor Mário Ruivo considera que é o consumidor que irá alterar essescomportamentos das empresas, realizando opções de compra conscientes. Eu penso apenas que este será um dos grandes desafios do nosso tempo.

A nível político, como toda a gente sabe, a Cimeira de Joanesburgo não foi nada de muito importante. No entanto, houve mais duas conclusões de relevo: que é necessário erradicar a pobreza e que é necessário melhorar o nível de vida médio. Segundo as conclusões da mesma cimeira, isto poderá ser atingido através de intervenções a diversos níveis. Estes níveis deverão passar a ser conhecidos pela sigla WEHAB (do inglês: Water, Energy, Heat, Agriculture e Biodiversity). Água, Energia, Calor, Agricultura produtiva e com segurança alimentar e Bioversidade e gestão dos ecossistemas, são então os vectores de intervenção mundial no sentido do desenvolvimento sustentável.

O papel do Estado, ou do Super-Estado, como a União Europeia, será de produzir legislação que promova os interesses dos cidadãos, desde que permitam o desenvolvimento sustentado (i.e. a necessidade de conciliar o desenvolvimento económico com a preservação do ambiente) e com intervenções ao nível do WEHAB. Depois de Joanesburgo a evolução deste tipo de pensamentos tem continuado. Neste momento o interesse maior tem residido na criação de indicadores ambientais (Conselho de Laken, Dezembro de 2002) que, a par dos indicadores económicos e sociais, certifiquem a qualidade das decisões tomadas.

Quando escrevo estas linhas ainda não se sabe se a gestão da Zona Económica Exclusiva das Regiões dos Açores, Madeira e Canárias (área entre as 50 e as 200 milhas da costa) e de Portugal continental (entre as 12 e as 200 milhas), passou para a União Europeia, ou não. Essa passagem significaria que as águas do largo passarão a poder ser exploradas porqualquer navio da UE e utilizando qualquer arte, desde que cumprindo os escassos permissivos regulamentos comunitários. Na minha opinião isso seria um perfeito disparate e próximo de um crime ambiental. E mesmo em relação às resoluções da enfezada Cimeira da Terra de Joanesburgo isso seria de um antagonismo atroz. Não faz sentido que:

  1. as suas águas dos cidadãos de Portugal passem a ser exploradas por frotas irresponsáveis como a Espanhola (gosto imenso do povo Espanhol, mas o seu comportamento em relação à pesca é profundamente anti-ecológico);
  2. esta área seja gerida pela mesma entidade que não consegue controlar a decadência da pesca do bacalhau, entre outras pescarias, no norte da Europa (a União Europeia);
  3. não se preze a biodiversidade de ecossistemas frágeis, tal como já foi alertado por inúmeros cientistas, nomeadamente da Universidade dos Açores,
  4. não se respeitem as opiniões das ONGs (WWF, Seas at Risk e Greenpeace) as quais, numa carta conjunta dirigida ao Conselho da Europa, alertaram para o enorme perigo da abertura das águas da Macarronésia em relação às frotas internacionais;
  5. não se respeite o órgão representativo mais importante da Europa, o Parlamento Europeu, que já aprovou uma resolução apelando à manutenção da privacidade destas ZEE;
  6. se desrespeite o sentido ecológico dos pescadores Açoreanos que sempre se recusaram a utilizar artes de pesca demasiado destrutivas (redes de arrasto) e se empenharam na criação de áreas marinhas protegidas (a arte de pesca mais eficiente utilizada nos Açores está proibida até três milhas da costa).

Ao contrário de mim enquanto escrevo, quando ler estas linhas poderá já ter a informação suficiente para aferir o seu próprio indicador ambiental sobre o poder responsável dos Estados e o verdadeiro objectivo da União Europeia: lucro de curto prazo ou desenvolvimento sustentável?


Publicado na coluna "Casa Alugada"

Elasmobrânquios

Os tubarões e raias (elasmobrânquios) são um dos grupos de animais mais conhecidos e temidos do nosso planeta, alimentando a nossa imaginação e cultivando alguns os maiores pesadelos de alguns de nós. Ao escrevermos este artigo, tivemos como objectivo valorizar este grupo de animais cuja complexidade só é rivalizada pela sua fragilidade.

Introdução

Há mais de 1000 espécies de elasmobrânquios descritas nos mares e rios do nosso planeta. Apesar do número não ser muito elevado – por comparação, existem mais de 20 mil espécies de peixes ósseos descritas – muitos ainda estarão por descrever, escondidos nas grandes e vastas profundezas oceânicas. O “megamouth” (Megachasma pelagios) apenas foi descoberto em 1976 depois de ter sido acidentalmente capturado ao largo do Hawai. Ora se um animal com 5 metros de comprimento e cerca de uma tonelada de peso, apenas foi encontrado já no último quartel do século XX, quantas pequenas espécies estarão ainda por descrever? E esta nem é uma espécie que se movimente especialmente fundo (crê-se que habite até aos 1000m).

Elasmobrânquios

Mas o que são os elasmobrânquios? Como se podem definir? São animais aquáticos, pertencentes à Classe dos Condríctios e em que o esqueleto é composto por cartilagem. Por vezes, podem existir depósitos de calcário que dão alguma rigidez às cartilagens, mas nunca chegam a verdadeiros ossos. Uma das razões que está por trás desta necessidade em não possuir verdadeiros ossos, resulta de outra das diferenças em relação aos peixes: a falta de bexiga natatória. Como não podem manter a sua posição na coluna de água através deste órgão, têm de manter um peso corporal tão baixo quanto possível. Nesse sentido, as cartilagens, por oposição aos ossos, são muito úteis. Mas há outras diferenças que os distinguem dos peixes e os agrupam entre si: 5 a 7 fendas branqueais; com poucas excepções, todos possuem a boca localizada na posição inferior da cabeça; reproduzem-se por fertilização interna; a dentição, no caso de existir, é efémera e substitui-se ciclicamente.

O sistema nervoso dos elasmobrânquios não é muito complexo, sendo o cérebro de pequenas dimensões. Por este facto, não são muito sensíveis à dor, o que lhes alarga a capacidade de luta contra outros predadores, competidores ou presas. Apesar disso e paradoxalmente, são muito sensíveis a pequenas variações na constituição química dos elementos dissolvidos na água e a perturbações físicas na mesma. Desta forma podem precaver-se contra a eventual presença de predadores e detectar facilmente potenciais presas.

A capacidade de distinguir elementos químicos na água é especialmente interessante para detectar a presença de presas feridas e a sangrar. Esta capacidade é possível graças ao facto de possuírem umas narinas especializadas (sacos nasais).

A audição é utilizada para detectar a presença de presas a longa distância embora, a distâncias mais curtas, o tacto se torne também muito importante. Alguns mergulhadores já repararamcomo as jamantas reagem rapidamente ao toque.

Tal como os peixes ósseos, os tubarões também têm órgãos sensitivos associados à linha lateral. São estes que permitem detectar a presença de presas com um comportamento errático,como, por exemplo, um peixe que se encontre ferido.

Para a detecção de presas que estejam enterradas no substracto, os elasmobrânquios possuem uns órgãos, localizados na cabeça, chamados de “ampolas de Lorenzini”. Estes órgãos permitem a detecção do campo eléctrico gerado pelo movimento muscular, como um coração a bater.

Outra das capacidades “estranhas” dos elasmobrânquios é a que está associada à detecção dos campos magnéticos. Graças a ela, estes animais podem executar longas movimentações, durante as migrações. De certa forma, é como se possuíssem uma agulha magnética dentro de si.

O seu sentido do gosto ou paladar também está muito desenvolvido e os tubarões rejeitam muitas vezes uma presa depois da primeira dentada não ter sido satisfatória. É por essa razão que os tubarões não se alimentam dos seres humanos apesar de, por vezes, lhes darem uma dentada. O nosso sabor não deve ser nada satisfatório...

A visão é um dos sentidos pouco desenvolvidos nos tubarões. Os olhos transmitem, na maioria das espécies, informação sobre a quantidade de luz presente, detectadas por umas células de nome “bastonetes”. Apenas as espécies que habitam as águas menos profundas, possuem um segundo tipo de células, de nome “cones”, que são sensíveis às cores. Apesar da importância relativamente pouco elevada da visão, algumas espécies protegem os olhos durante os ataques que desferem, cobrindo, nesse momento, os olhos com uma “membrana nictitante”.

Dentro dos elasmobrâquios, os dois grandes grupos são os tubarões e as raias. Os tubarões têm, genericamente, um corpo afilado enquanto as raias apresentam-no achatado dorso-ventralmente com as barbatanas peitorais muito desenvolvidas. Outras diferenças entre estes animais incluem os pares de fendas branqueais, que nas raias são sempre cinco e ventrais e nos tubarões podem variar entre 5 a 7. As fendas nasais dos tubarões são laterais enquanto nas raias as mesmas se apresentam ventralmente.

A barbatana caudal também difere nos tubarões e nas raias. Enquanto nas raias a barbatana caudal está de tal forma transformada que se pode considerar ausente, já no caso dos tubarões, esta é bem visível e heterocerca. Ainda ao nível das barbatanas, os tubarões apresentam barbatanas peitorais bem definidas, enquanto as raias – com algumas excepções – apresentam-nas ligadas à cabeça e mal definidas.

As raias

As raias têm um corpo com uma forma que se assemelha a um disco. Algumas espécies apresentam um espinho, também chamado de aguilhão, constituído por vasodentina e que pode servir para injectar veneno num potencial predador. Em caso de ataque, partes do aguilhão podem-se partir e permanecer na ferida causada na vítima. As raias apenas atacam utilizando o aguilhão no caso de se sentirem muito ameaçadas. São normalmente animais pacíficos, mas poderão surgir complicações no caso de serem, por exemplo, pisadas.

Os tubarões

Os tubarões adultos têm tamanhos que podem variar desde os 15 cm até aos 18 m de comprimento, dependendo da espécie. O maior peixe é mesmo um tubarão, no caso o tubarão-baleia. Esta espécie, rara em Portugal, pode muito ocasionalmente ser observada nas águas ao largo no nosso país. As espécies de tubarões estão bem adaptadas ao meio em que vivem e à estratégia de vida que adoptam. Reflexo disso é a pouca diferença que as espécies actuais apresentam em relação aos seus antepassados. De facto, há poucas diferenças entre as espécies actuais e as que existiam há 300 milhões de anos.

Como todos os peixes, a posição que ocupam habitualmente na coluna de água define o seu nicho ecológico. Nesse sentido, numa primeira aproximação, podemos definir os tubarões como costeiros, pelágicos e bentónicos. É difícil afirmar onde é que o território de um acaba e o seguinte começa porque, por vezes, são coincidentes. Mas, curiosamente, a forma da barbatana caudal acaba por ser um bom indicador da sua posição na coluna de água. Assim, os tubarões com a barbatana caudal mais homocerca terão a tendência de frequentar as zonas mais pelágicas, enquanto que um animal com a barbatana caudal muito heterocerca terá grandes probabilidades de se deslocar perto ou pouco acima do fundo. Mais uma vez, esta adaptação resulta da falta de bexiga natatória e a incapacidade de controlar facilmente o equilíbrio do corpo.

Os elasmobrânquios e o homem

O valor económico dos tubarões para a pesca não é muito elevado. Em vez de diminuir o interesse sobre estas espécies, este facto tem aumentado a necessidade das frotas capturarem os animais em grandes quantidades de forma a rentabilizar o esforço. Esta razão, associada ao desinteresse que o público e as autoridades têm sobre os tubarões, tem conduzido estas espécies a uma situação de eminente colapso das pescarias. Os tubarões estão em muito má condição. Espécies como a tintureira e a gata-lixa, outrora abundantes, necessitam de legislação e fiscalização urgentes. Especialmente a tintureira, visto ser uma espécie migradora, exigirá um esforço adicional para que os diferentes países concertem acções de forma a que a protecção seja efectiva ao largo de toda a sua rota. Não fará sentido que uma espécie seja protegida num país e dizimada noutro. No caso das espécies migradoras, um comportamento como o referido conduz, inevitavelmente, ao desaparecimento da espécie nos dois países. As raias e mantas não são alvo de uma exploração tão desenfreada, mas a falta de regulamentação poderá no futuro colocar estas espécies também na lista negra. Tal como já aconteceu com a população de raia-oirega do Mar do Norte, tendo esta sido uma das primeiras extinções detectadas causadas pela sobre-pesca.

Em suma, é absolutamente necessário proteger preventivamente os tubarões, estudar a sua biologia, estabelecer regras de exploração, concertar acções a nível internacional, dar formação aos pescadores e aumentar a fiscalização sobre a actividade da pesca.

A pesca desportiva de tubarões não se encontra em grande expansão em Portugal. O crescente esclarecimento do público em relação à situação crítica destes animais tem levado a que o interesse venha a decrescer. Como forma alternativa de explorar esta actividade, dando-lhe um cunho de “amiga do ambiente”, os operadores têm enveredado por uma adaptação na técnica que potencia a capacidade de sobrevivência do animal. Nesta operação os tubarões são capturados, marcados e libertados. A maioria dos animais consegue resistir ao stress provocado pela captura e os dados científicos obtidos em cada recaptura são valiosos e importantes para o estudo e conservação dos animais.

Nos últimos anos tem surgido uma forma alternativa de explorar os tubarões e raias, a observação e natação, a qual apresenta a vantagem adicional de não os destruir. Basicamente, os operadores turísticos transportam os clientes até locais em que possam ver estes animais em segurança. É uma actividade em expansão. Os retornos económicos da observação de tubarões são várias vezes mais elevados que a sua exploração comercial. Por exemplo o preço de um tubarão baleia morto em pouco passa os 100 dólares nas Maldivas, mas um mergulhador poderá pagar facilmente esse valor para o observar e o animal ficará vivo para ser observado e pago diversas vezes.

Honestamente, em Portugal, ninguém pode garantir a observação de um tubarão ou jamanta a não ser no Oceanário. No entanto, há locais no nosso país em que possibilidade de ver estes animais em ambiente selvagem é normalmente elevada. O único local que os autores deste artigo conhecem, no nosso país, em que 100% das imersões permitiram a observação dejamantas ou tubarões foi no Banco Princesa Alice nos Açores. Ainda nos Açores, cerca de 50% das imersões no Banco D. João de Castro permitiram a observação de jamantas.

Curiosidades

Fatos de malha de aço - Há formas alternativas de interagir com os tubarões. São muito conhecidas as experiências de utilização de fatos de malha de aço para protecção contra mordidas de tubarões. Apesar de inútil, porque ninguém terá esse fato por perto no dia que for realmente necessário, não deixam de ser interessantes as imagens de tubarões a morder os mergulhadores que ficam apenas arranhados.

Ataques de tubarões em Portugal – o único registo confirmado de um ataque não provocado de um tubarão em Portugal ocorreu ao largo dos Açores. Um operador cinematográfico foi atacado uma tintureira da qual teve de defender-se utilizando a caixa estanque da câmara. Para além deste já se registaram ataques de cações e tubarões martelo a caçadores submarinos.

O que fazer para evitar um ataque de tubarão

1- Não nadar em zonas desaconselhadas, pela frequência de espécies potencialmente agressivas;

2- Na eventualidade de surgir um tubarão, há que tentar não o provocar. Lembre-se que está no meio natural dele, logo, é ele que estabelece as regras (as adaptações resultantes de milhões de anos de evolução deverão prevalecer).

3- Tentar identificar se é uma das espécies potencialmente perigosa, já que a maioria das espécies de tubarões são consideradas inofensivas para o Homem. Se tiver dúvidas, ou se de facto identificar a espécie em causa como potencialmente perigosa, procure sair calmamente da água. Durante o percurso, não perca o tubarão de vista olhando directamente para ele. A probabilidade de um tubarão atacar é reduzida se não lhe virarmos as costas. Lembre-se que o comportamento habitual de uma presa é fugir, portanto evite comportar-se como tal!

4- Com calma, alertar os restantes banhistas ou mergulhadores. É essencial evitar o pânico, para a sua segurança e a dos outros.

TOP5
As 5 espécies mais emblemáticas dos elasmobrânquios
1. Tubarão-branco - pela sua postura agressiva e pelos filmes norte-americanos. É sem dúvida o tubarão mais conhecido.
2.
Tubarão-baleia - pelo seu porte e pela passividade.
3. Manta - Pela forma peculiar, pela beleza dimensão e pelo
comportamento natatório.
4.
Wobbegong – emblemático no Pacífico Ocidental pela sua coloração, forma e movimentação pesada.
5.
Tubarão-martelo – pela forma original da cabeça, muitas vezes utilizada para simbolizar os próprios tubarões.

TOP5
5 espécies passíveis de serem encontradas em mergulho em águas nacionais.
Ratão-águia
Uge
Tremelga
Cação
Tubarão-frade - um passeio ao largo das costas de Sesimbra pode proporcionar o avistamento desta espécie

TOP5
As 5 espécies mais exóticas (selecção da Sara, 6 anos)
1. Tubarão-demónio – prognatismo da parte superior da cabeça e aspecto desordenado dos dentes, apenas visíveis antes de um ataque.
2. "
Megamouth"
3. Peixe-porco de vela - a barbatana dorsal muito elevada dá um aspecto triangular à parte anterior do animal. Habita desde os 45 aos 650 metros, especialmente na zona do talude continental.
4. Peixe-serra

5. Uge-de-rio-ocelada – pela viva coloração.


TOP5
As espécies mais ameaçadas em termos de conservação (fonte: adaptado de Audubon)
1. Tintureira – pelas capturas desordenadas no Atlântico Norte.
2.
Tubarão-faqueta – a sua população declinou 80% nos últimos 20 anos.
3.
Galhudo-malhado – Descargas quadruplicaram entre 1988 3 1993.
4.
Tubarão-frade – Algumas populações locais decresceram em 80% nos últimos anos.
5.
Tubarão-branco – De troféu passou a ter um alto valor económico ($4, 000 por par de mandíbulas).

TOP5
Os cinco destinos para ver tubarões
1. África do Sul - Destino por excelência de quem quer ver tubarões brancos.
2. Califórnia – Destino
com possibilidade de nadar, beijar, estudar, marcar, domesticar tubarões... Fora de brincadeiras, as Channel Islands parecem ser um destino interessante para observar tubarões.
3.
Maldivas - Há cinco espécies comuns e facilmente observáveis nas Maldivas, incluindo tubarões-baleia. Para além destas, estão identificadas um total de 26 espécies de tubarões.
4. Bahamas - Bom local para observar
tubarões-touro e tubarão-limão.
5. Ilha de Cocos – concentrações de
tubarões-martelo. Possibilidade de ver outras espécies como o tubarão-luzidio.

TOP5
As espécies de elasmobrânquios mais perigosas que ocorrem em Portugal (fonte: adaptado de Fishbase.org)
1. Tintureira
2.
Rinquim
3.
Tubarão-de-pontas-brancas
4.
Tubarão-branco
5.
Tubarão-tigre

Para Saber Mais

Alguns sítios internet para turismo subaquático com tubarões

1- Maldives .... the last Paradise em http://maldive.com/dive/dive2.html

2- Skorpion Travel em http://www.skorpion-maldives.com/scuba_diving.html

3- Reef & Rainforest em http://www.reefrainfrst.com/sharksouthafrica.htm

4- Sports Safaris Africa em http://www.sportsafaris.com/

5- DivingWithSharks.com em http://www.jiwi.com/divingwithsharks.htm

6- ScubaDuba em http://www.scubaduba.com/bahamas/nfbahamas.html

Páginas internet sobre tubarões

APECE - Associação Portuguesa para o Estudo e Conservação de Elasmobrânquios. http://www.apece.org/

Espécies Marinhas dos Açores, em http://www.horta.uac.pt/species/

Fishbase - Froese, R. e D. Pauly, Editores. Publicação electrónica na internet em http://www.fishbase.org/

Bibliografia

Livros e Artigos

- Compagno, L.J.V. 1984. FAO species catalogue. Vol. 4. Sharks of the world. An annotated and illustrated catalogue of shark species known to date. Parts 1 & 2. FAO Fisheries Synopsis 125. 655p.

- Silva, A.A. 1999. Tubarões dos Açores. Revista Mundo Submerso. 28: 36-40.

Guias de Identificação

- Debelius, H. 2000. Mediterranean and Atlantic Fish Guide. IKAN Unterwasserarchiv. 305p. - Guia de identificação dos peixes do Mediterrâneo e Atlântico. Está editado em Alemão, Inglês e Espanhol.

- Hennemann, R.M. 2001. Sharks and Rays: Elasmobranch guide of the worlds. IKAN Unterwasserarchiv, Frankfurt. 304p.

- Szpilman, M. 2000. Peixes marinhos do Brasil: guia prático de identificação. Instituto Ecológico Aqualung e MAUD Editora Ltda, Rio de Janeiro. 288p.

Glossário

Anequim ou Rinquim Lamna nasus.
Bexiga natatória
Divertículo do tubo digestivo dos peixes que funciona
como órgão hidrostático.

Cação Mustelus spp. embora nos Açores este nome comum corresponda à espécie Galeorhinus galeus.

Cartilagem – tecido flexível, de baixo peso.

Condríctios – grupo de tubarões, raias e quimeras. São os animais com corda dorsal, mas sem verdadeiros ossos.

ElasmobrânqueosPeixes cartilagíneos dos grupos Selachii e Batoidei. Este agrupamento exclui os Holocephali (quimeras).

Galhudo-malhado - Squalus acanthias

Gata-lixaSeláceo da espécie Dalatias licha.

Heterocerca – forma assimétrica das barbatanas caudais dos tubarões, sendo o um dos lóbulos mais comprido que o outro. Em oposição às barbatanas homocercasmais comuns nos peixes ósseos.

Peixe-guitarra - Rhina ancylostoma.

Peixe-porco de vela - Oxynotus paradoxus

Peixe-serra Pristis pectinata.

Raia-oirega - Raja batis.

Tintureira Prionace glauca.

Tremelga Torpedo spp.

Tubarão-baleia Rhincodon typus. Pode atingir 12 metros de comprimento, embora existam registo não confirmados de animais com 18 metros.

Tubarão-branco Selácio da espécie Carcharodon carcharias.

Tubarão-demónio - Mitsukurina owstoni. D. Carlos, Rei de Portugal, identificou este peixe nas águas nacionais pensando que estava a registá-lo pela primeira vez para a ciência, chegou a dar-lhe o nome científico de Odontaspis nasuta, infelizmente o mesmo já tinha sido descrito no Japão.

Tubarão-de-pontas-brancas Carcharhinus longimanus.

Tubarão-faqueta - Carcharhinus obscurus.

Tubarão-frade Cetorhinus maximus. Alimenta-se de plâncton. Maior tamanho registado 9,8 metros, embora existam referências não confirmadas a animais com 12 e 15 metros.

Tubarão-limão Negaprion brevirostris.

Tubarão-martelo Seláceo com cabeça achatada e lateralmente expandida, quando observada de cima, apresenta um aspecto rectangular que em muito faz lembrar o formato de um martelo. Nome científico Sphyrna spp. (para mais detalhes ver a Revista Mundo Submerso número 74).

Tubarão luzidio Charcarhinus falciformis.

Tubarão-tigreGaleocerdo cuvier.

Tubarão-touro Eugomphodus taurus.

Uge Dasyatis spp.

Uge-de-rio-ocelada Potamotrygon motoro.

Wobbegong Orectolobus spp.

Agradecimentos

Ao Professor Martin Sprung, excelente investigador e pedadgogo da Universidade do Algarve, amigo e bom conselheiro. O sorriso honesto, pacífico e pacificador do Professor Martin acompanhará sempre todos aqueles que o conheceram.
Ao
Fernando Tempera pelas correcções e sugestões. Ao Luís Quintino e Rui Prieto pela cedência de bibliografia. À Sara pela sua avaliação do nível de exotismo das espécies de elasmobrânquios.

Biografia

Frederico Cardigos - é licenciado em Biologia Marinha e Pescas pela Universidade do Algarve. Estagiou no Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores (DOP/UAç) e é mestre em Gestão e Conservação da Natureza. É bolseiro do Centro do IMAR da Universidade dos Açores através do Projecto MAROV (MCT-FCT-PDCTM/P/MAR/15249/1999). Colabora activamente no Projecto OGAMP.